o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
26 de junho de 2020, 22h58

É o Brasil do faz de conta graças à Lava Jato

Leia na coluna de Cleber Lourenço: Depois de 6 anos de Lava Jato afrontando, peitando e desdenhando do STF, o resultado é uma verdadeira baderna jurídica no país onde cada juiz, desembargador ou procurador acha que pode fazer o que bem entender

Dallagnol e Sergio Moro (Foto: Arquivo)

Marco Aurélio talvez seja um dos ministros que eu mais tenha uma simpatia dentro do Supremo Tribunal Federal, talvez por não buscar protagonizar espetáculos ou por ser um dos que mais entende o seu papel destro daquela corte constitucional. Independente do motivo, vamos ao que interessa.

Ao comentar decisão da 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio) ele disse: “É o Brasil. É o faz de conta”.

Não mentiu. É o Brasil do faz de conta, em que tudo é possível, sintomas de tempos onde qualquer um acha que pode sair atropelando a institucionalidade. E a culpa é de quem? Do Bolsonaro? Antes fosse! Esse aí só “pega rabeira” em uma onda iniciada com a deprimente Lava Jato e o movimento morista.

A surrealidade do caso (ou má fé mesmo) já começa no desembargador Paulo Rangel, que em seu livro diz o contrário e concorda com o STF em 2018, onde decidiu-se que foro por prerrogativa de função conferido aos deputados federais e senadores se aplica apenas a crimes cometidos no exercício do cargo e em razão das funções a ele relacionadas.

Uma decisão clara e sem espaço para interpretações fantasiosas, mas que mesmo assim, o desembargador e o TJ-TJ decidiram mandar às favas.

Foi a mesma coisa com os lavajatistas que, por seguidas vezes, colocavam delatores para falarem depois dos delatados, prejudicando o direito de defesa.

Em 2018 Deltan Dallagnol e os demais procuradores da Lava Jato decidiram chutar o STF quando o ministro Marco Aurélio mandou soltar quem estivesse preso em execução antecipada da pena, algo que havia se tornado corriqueiro e habitual pela Lava Jato, que a todo o momento insistia e atropelar o processo penal.

Durante a coletiva disseram que a decisão do ministro “consagra a impunidade”. Um absurdo.

A operação Lava Jato também é famosa por seus “vazamentos” cheios de conveniências e que sempre atingiam em cheio os “empecilhos” da operação, como o episódio envolvendo a censura da revista Crusoé, um vazamento que contou com a prepotência de alguns ministros para que o STF inteiro caísse em uma armadilha de linchamento em praça pública. Detalhei toda a escaramuça lavajatista aqui.

Depois de 6 anos de Lava Jato afrontando, peitando e desdenhando do STF, o resultado é uma verdadeira baderna jurídica no país onde cada juiz, desembargador ou procurador acha que pode fazer o que bem entender.

Já tivemos até juiz federal tentando suspender as eleições em todo o país.

E agora temos quem deseje escolher o desembargador de seu próprio julgamento conforme a conveniência. A decisão acintosa do TJ-RJ fez com que defesa de Fabrício Queiroz apresentasse um pedido à Justiça do Rio para que o recurso da negativa do habeas corpus do ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro fosse julgado pela desembargadora Mônica Toledo, que defendeu a tese que beneficiou Flávio Bolsonaro.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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