o colunista

por Cleber Lourenço

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24 de janeiro de 2020, 12h21

Eduardo Bolsonaro sai na frente na guerra contra Moro

Eduardo não admitiu ver seu pai em uma posição de inferioridade em relação ao ministro da justiça

Sergio Moro e Eduardo Bolsonaro (Reprodução)

Moro está em campanha e o Roda Viva foi o lançamento da sua candidatura.

Se Bolsonaro ao menos tivesse o hábito de ler este que vos fala, saberia (assim como vocês sabem) que tudo foi construído para chegar nesse momento.

Moro não queria Supremo Tribunal Federal coisa nenhuma, não queria toga, ele quer o Brasil. E em fevereiro de 2019 a esposa do ex-juiz, Rosangela Moro disse em seu Instagram: “Já estou iniciando HOJE campanha para 2022”

Até hoje não ficou claro os objetivos de Rosangela com esse comentário.

E chegamos então ao derradeiro momento onde o país descobre que o maior inimigo de Bolsonaro nunca usou uma estrela vermelha, nunca disse Lula Livre e tampouco já foi de esquerda. Na verdade o maior inimigo de Bolsonaro, sempre esteve dentro do governo Bolsonaro.

Foi neste blog, em junho do ano passado, eu já havia dito que o círculo interno bolsonarista jamais confiou em Moro, tolerava, mas não era afável ao ministro. Ainda tratei do tema em outras diversas colunas.

Acontece que com o confronto final se tornando cada vez mais inevitável, os filhos do presidente decidiram sair em campo.

Não é por menos que na noite desta quinta-feira o Deputado federal, Eduardo Bolsonaro saiu do prumo ao atacar a jornalista Vera Magalhães depois da mesma fazer um tweet afirmando que “À 0h25 de hoje o vídeo da entrevista do ministro @SF_Moro rompeu a marca de 1 milhão de visualizações no @YouTube. Já é o vídeo mais visto do canal do #RodaViva, quebrando o recorde anterior, da entrevista com Glenn Greenwald.”

Logo na sequência, Eduardo Bolsonaro respondeu também via Twitter:

“Cara Playmobil @veramagalhaes, não sou jornalista, mas posso te ensinar o básico: jornalismo de verdade não se faz com mentiras.

Não vale a pena se queimar (ainda mais) assim.

Vale lembrar que o termo “fake news” nasceu devido a publicações da imprensa semelhantes a esta sua.”

Vera então respondeu em seu Twitter:

“Agradeço ao deputado @BolsonaroSP pela correção tão elegante. Este tuíte de fato está impreciso. O recorde de audiência da entrevista de Glenn Greenwald era do ano passado. A entrevista do então candidato Jair Bolsonaro em 2018 tem mais de 9 milhões de views.”

A sequência de tweets deixa evidente o desemperramento e nervosismo da família presidencial com o ministro que se tornou a quinta-coluna no governo.

Eduardo não admitiu ver seu pai em uma posição de inferioridade em relação ao ministro da justiça. E foi esse o jeito que a família do presidente e o presidente encontraram de declarar guerra ao clã Moro.

Moro por outro lado também se prepara para o confronto, emitindo e plantando notas na imprensa afirmando que deixará o governo caso o ministério da Segurança Pública retorne. A própria Globo, que apadrinhou Moro, correu em sua defesa hoje em seus principais noticiários apontando a crueldade do capitão e que Bolsonaro não é confiável.

O que não é verdade, Moro não sairá um dedo do governo, já passou por humilhações piores, como quando teve que desistir de Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. E após isso, nada aconteceu.

Ainda não é o momento para o desembarque. Moro irá aguardar todo o desenrolar do caso Flávio para isso. Para que enfim saia como se tivesse sido obra de um homem ungido.

O que Moro quer com essas declarações é mobilizar seus apoiadores e provocar agitação e não irá parar até transferir uma base significativa de apoiadores do Bolsonaro para a sua conta.

Moro é o autoritário que fala macio. O pior tipo que existe é a real ameaça da República.

Moro já tem bancada no Congresso e até mesmo no STF (Barroso e Fux), está acumulando poder para o momento certo.

Tudo isso enquanto sua esposa faz o papel de Dick Cheney e orquestra tudo atrás das cortinas.

Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Fórum

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