sexta-feira, 25 set 2020
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Falta decoro para a Lava Jato

A Lava Jato não possui um pingo de decoro, é desprovida do mínimo senso de civilidade e institucionalidade. Em nota, a operação em Curitiba atacou Aras dizendo coisas como os trechos que coloco logo abaixo:

“Procuradores-gerais, despojados da consciência (…) desprezível vontade de agir servilmente (…)”.

É de uma delinquência jamais vista na história do país. E não é de hoje. Ainda em 2010 o Ministério Público já promovia a gritaria e balbúrdia nas redes sociais com a lei da ficha limpa, em 2013 fez a mesma coisa contra a PEC 37 e quando arrancaram na gritaria os poderes de polícia (algo que eu já discuti aqui e apontei que não é constitucional).

Acontece que o MP faz política desde que a operação Satiagraha mostrou que você pode fazer o que quiser, desde que use como desculpa o combate à corrupção. E olha que a operação era conduzida pela Polícia Federal.

Não é possível que tenhamos instituições e seus membros reagindo e atacando com tamanha virulência, um ódio desmedido.

Eu apontei no meu Twitter que o debate sobre a quarentena de 8 anos não se trata sobre impedir Moro ou Deltan de concorrerem nas eleições de 2022. O debate é mais amplo, se trata de permitir ou não que agentes do estado usem seus cargos e recursos públicos para fazer campanha político-partidária.

Vejam esse diálogo revelado pelo The Intercept Brasil. São dois membros do Estado brasileiro ou dois militantes de uma organização política?

É disso que se trata, fazer agitação política dessa maneira também é falta de decoro! Hoje a turma da Lava Jato afronta o Supremo Tribunal Federal, PGR e qualquer outra instituição que lhe incomode de forma velada.

Em 2013 usaram as redes sociais para ameaçar e colocar a faca no pescoço do Congresso Nacional na votação da PEC 37. Ali a democracia já havia ficado de joelhos.

Sem falar das inúmeras notas acintosas e, por vezes, até mesmo provocativas contra seus alvos. Não é assim que se faz….

Reconheço que o PGR Augusto Aras errou – e muito – ao fazer tais afirmações contra a Lava Jato em uma live. Que alertasse o CNMP (por mais leniente que este seja com os descalabros de Curitiba) e depois emitisse uma nota explicando o motivo, que fizesse qualquer coisa mas dentro da institucionalidade.

Essa bagunça que se instaurou no Brasil não faz bem e só prejudica a democracia, que agora é conduzida pela política da gritaria. Ganha quem vence o duelo de hooligans, quem tem mais torcedores nas redes e promove mais terror e barulho.

Não é por menos que a LavaJato é a mãe da nova política. Essa truculência, gritaria e berreiro são característicos desse movimento político-social que infelizmente afogou o país na mais profunda delinquência.

Já comentei aqui: quem criou o discurso contra a política e de demonização de Brasília não foi o bolsonarismo, ele se apropriou de um discurso criado pela Lava Jato ainda em 2013.

A militância pela destruição da institucionalidade é tão profunda que hoje o MP quer se colocar como o poder moderador de todos os demais poderes, como se ele já estivesse embebido em uma dose interminável de benevolência e ética e tudo fora do MP fosse digno de desconfiança e até mesmo escrutínio em praça pública em alguns casos.

A presunção é tanta que a Lava Jato e amplos setores do MP questionam o governo e o STF, que segunde eles, preparam um projeto que tira poder do MPF em acordos de leniência. Um poder que nunca foi do MPF! Quem faz estes acordos é a Controladoria-Geral da União!

É a mesma coisa da juíza Gabriela Hardt, que busca dar a destinação de recursos que já são da União. Notem que neste caso tudo não passa de mero populismo barato! O Ministério da Saúde sequer usou metade dos recursos destinados para o combate à covid-19, não falta dinheiro por lá, falta competência!

Enquanto isso o Ministério da Justiça dá um verdadeiro baile no MP e opera uma verdadeira Gestapo caçando e localizando opositores do governo!

Quem fiscaliza os fiscais? Quem modera os moderadores?

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

Cleber Lourenço
Cleber Lourenço
Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito. E-mail: [email protected]