o colunista

por Cleber Lourenço

Fórum Educação
02 de março de 2020, 13h04

Fim do motim no Ceará: Moro tenta colher os louros de um mérito que não é seu

Com a sublevação dos policiais-milicianos do Ceará findada, é claro que o ministro da justiça, expoente da extrema-direita brasileira, tentaria se cacifar de tal fato

Moro em foto de soldado publicada no Twitter (Reprodução)

Sigo aqui (roubando a bio de um seguidor no Twitter) como um cronista do apocalipse em mais um capítulo da miséria política e da barbárie que tomam o país de forma acintosa.

Com a sublevação dos policiais-milicianos do Ceará findada, é claro que o ministro da justiça, expoente da extrema-direita brasileira, tentaria se cacifar de tal fato. Brigou até mesmo com Ciro Gomes, uma vergonha.

Respondendo um tuíte de Ciro Gomes moro proferiu a pérola:

Vamos por partes! Graças ao governo federal? Quando o motim ilegal estourou primeiro fizeram um obsceno silêncio, Ceará não era no Brasil.

Em uma live, Onyx Lorenzzoni (o chuveiro do Renan Calheiros) ainda afirmou que a ação de encapuzados que terminou com um senador da República paleado era justificável.

Tudo com a anuência e chancelando presidente que estava ao seu lado

Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, chegou até mesmo a prestar solidariedade aos amotinados encapuzados que impuseram terror no estado.

Ainda nos últimos dias, Moro trabalhava para agitar os amotinados. Basicamente disse que os policiais, encapuzados ou não, que fizeram uma greve criminosa, atacaram patrimônio público, ameaçaram policiais civis, atiraram para matar em um senador, que roubaram jornalistas e impuseram toques de recolher não poderiam ser tratados como criminosos

A forças federais só foram ao estado quando a situação já havia chegado ao mais absoluto descontrole. Mais de 200 assassinatos em um piscar de olhos.

E ainda foram à contra gosto do presidente que até mesmo pensou em não renovar a GLO no estado. Renovou depois que governadores de outros estados ameaçaram enviarem tropas ao Ceará para, enfim, atestarem a incompetência do governo Bolsonaro.

Para melhorar, o diretor da força nacional de segurança pública ainda elogiou os amotinados!  Isso tudo no último domingo (1) na assembleia que definiria o fim da sublevação.

O que se viu ali foi a aliança histórica do pcdob, PT, Wilson Witzel e João Dória contra o presidente.

Quem fez uso político do fim do motim foi você Moro! Ciro Gomes só comentaria o caso hoje às três horas da manhã.

Você já estava desde às dez horas da noite do domingo correndo com a taça de um campeonato que não jogou.

Uma cena tão absurda que seria a mesma coisa de: em uma final do brasileira entre Corinthians e Flamengo, o primeiro ganhou mas quem saiu com a taça do campeonato foi o segundo! Surreal, mas aconteceu!

E mais, otuíte de Ciro não carregava nada se não a constatação dos fatos!

Foi o governo do Ceará que agiu de maneira firme com a delinquência da PM.

Não aumentaram a proposta de reajuste salarial e não anistiaram nenhum delinquente.

Seguiram firmes com a imposição da lei. Coisa que em nenhum momento, seja o Planalto, seja o ministério da justiça fez.

Pelo contrário, enquanto o Ceará fazia a lei valer para os amotinados, o ministério da justiça decidiu utilizar tempo, recursos e pessoal para perseguir um show de punk no norte do país.

Moro e seu ministério deixaram bem claro que seus inimigos não eram aqueles que transgridem a constituição e sim a liberdade de expressão.

Por fim, nenhum policial foi ofendido. Vejam só os policiais civis que tentavam colocar ordem no estado, todos honrados, estão de parabéns, aqueles militares que não sucumbiram à sanha da sublevação também.

Agora, aquela bandidagem que assistimos em vídeos que rodaram o país barbarizando o estado, estes sim mereceram ofensas e a firmeza de ações diretas.

Bem, nesse ponto do texto já deve ter ficado claro que Moro e Bolsonaro tentaram levar os créditos da fim de uma crise que eles mesmos agravaram.

E ainda me espanta ver que ele ainda tenta discutir e debater com quem diz o contrário. É de uma canalhisse sem parâmetros para comparação.

Moro representa atualmente a maior ameaça ao Brasil, a constituição e ao Estado Democrático de direito.

E está ficando cada vez mais difícil não enxergar isso.

Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Fórum


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