o colunista

por Cleber Lourenço

No rastro do óleo do Nordeste
08 de novembro de 2019, 00h34

Finalmente, o STF fez o seu trabalho: defender a Constituição

Cleber Lourenço: “A libertação do ex-presidente Lula não significa o fim. Na verdade, marca o começo de uma campanha, não contra Bolsonaro, mas, sim, em defesa dos direitos, em defesa da República, em defesa da dignidade”

Foto: Divulgação

Finalmente, depois de uma longa espera, mesmo com os espancadores constitucionais entre as suas fileiras, hoje o STF decidiu fazer o trabalho que jamais fez com afinco: defender a legalidade, defender o estado democrático de direito, a República e, acima de tudo, um livrinho que deveria nunca ter saído da cabeceira dos brasileiros: A CONSTITUIÇÃO.

Em tempos tenebrosos, nos quais procuradores e juízes fazem militância política de maneira escancarada, é bom ver que o STF, que já cometeu atrocidades históricas, decidir cumprir seu dever constitucional. Em tempos nos quais a lei é ignorada com tanta desfaçatez, qualquer lampejo é reconfortante.

A libertação do ex-presidente Lula não significa o fim. Na verdade, marca o começo de uma campanha, não contra Bolsonaro, mas, sim, em defesa dos direitos, em defesa da República, em defesa da dignidade.

Pois é isso que este governo nos tirou! Dignidade!

Tenho um caminhão de críticas aos governos petistas, faço constantemente em minhas redes. Porém, enquanto o estado democrático de direito e a República estiverem em risco, ficarei ao lado de quem possa ter o mínimo de apreço por valores tão desgastados em nossa sociedade.

Ainda assim, olharei com desconfiança para a decisão de hoje. Afinal de contas, temos três códigos penais vigentes atualmente no país:

O código penal para Lula;

O código penal para o povo;

O código penal para Bolsonaro;

Os dois primeiros trabalham unicamente com a presunção da culpa, enquanto a lei passou a ser totalmente facultativa para a família presidencial, que vive ludibriando com uma falsa monarquia que diariamente arrasa o país.

Mas não deixemos a alegria de hoje fazer com que se esqueça de tantas outras lutas. Afinal de contas, prisão, só após trânsito em julgado pra quem? Do lado de cá, provas são forjadas e pessoas são presas a todo o instante. Do lado de cá, PM coloca sempre um negro na viatura e diz que vai forjar flagrante, como forma de tortura psicológica. Ainda temos Rennan Da Penha, Rafael Braga e o pedreiro Amarildo.

O Brasil é muito injusto e precisamos nos erguer contra as injustiças.

Hoje, todo aquele que espanca, ignora, tripudia e trabalha contra a República e a Constituição dormirá incomodado. Arrisco-me até a dizer que alguns irão dormir com medo. Como é o caso do próprio governo.

Antes de encerrar esta coluna, gostaria de reforçar que a importância de que seja cumprida a Constituição. Prisão antes, só se necessária.

O STF não pode sucumbir ao populismo penal. Seu papel é contramajoritário. É guardião da CF.

Menção desonrosa para Barroso, que mais uma vez não perdeu tempo em agredir e promover o linchamento contra a Constituição. Um agitador vil.

É importante lembrar que o STF é fruto das escolhas erradas do PT. Que esses erros não se repitam. Os piores quadros do país estão ali. Agressores constitucionais de primeira mão. Não todos, mas sua imensa maioria.

Grande dia.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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