o colunista

por Cleber Lourenço

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27 de dezembro de 2019, 18h11

Follow the money: O que liga o Integralismo de Plínio Salgado, Aécio Neves e a família Covas?

Antes da Ditadura, vários parlamentares foram investigados em CPI por receberem dinheiro de uma associação abastecida pela CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos

Jornal Última Hora na cobertura da CPI do IBAD (Reprodução)

Este texto é adendo do texto de ontem. Você pode conferir ele clicando aqui.

Em 2014, no dia em que se completou 50 anos do golpe militar, o então presidenciável tucano, Aécio Neves, participou de um evento com uma série de empresários em São Paulo. Muitos deles, inclusive, ajudaram a financiar o golpe de 1964. O que muitos não sabem, no entanto, é que a ligação entre a família do atual deputado federal mineiro e os golpistas é antiga.

Além de ser neto de Tancredo Neves, por parte de mãe, o tucano também descende de outra oligarquia política mineira por parte de pai. Tristão Ferreira da Cunha, seu avô, foi deputado pelo PR de 1946 até 1963 e apoiou o golpe de 1964.

Seu pai, Aécio Ferreira da Cunha, por sua vez, também apoiou o regime militar sendo deputado pelo ARENA, PDS e PFL em um período que vai de 1962 a 1986. Após o golpe, seu pai assumiu a presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Lista do IBAD
Aécio Cunha, o pai, aparece em uma lista de 111 deputados que tiveram suas campanhas financiadas por uma ONG abastecida por estadunidenses. O caso deu origem a uma CPI na época. Além de Cunha, estavam na lista direitistas como Plínio Salgado (marque bem esse nome), Padre Godinho e Amaral Neto.

Antes do golpe, o pai de Aécio Neves se beneficiou do dinheiro daqueles que, anos mais tarde, assumiriam o poder. Nas eleições de 1962, ele foi financiado por empresas norte-americanas. O financiamento ocorreu por meio do IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), uma ONG ligada a CIA (Agência de Espionagem dos EUA).

Em 1962, o financiamento estrangeiro e a participação ostensiva do IBAD e suas subsidiárias na campanha eleitoral despertaram suspeitas no Congresso Nacional brasileiro. Chegou-se a sugerir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre esse assunto. Em 1963, a CPI foi finalmente instaurada.

A CPI do IBAD tomou centenas de depoimentos e apurou denúncias de doações ilegais. Descobriu-se que boa parte da documentação da entidade havia sido queimada pouco antes do início da investigação. Todavia, o que restou permitiu constatar que o financiamento do IBAD provinha principalmente de empresas estadunidenses.

Com base em informações apuradas pela CPI, em agosto de 1963, o então Presidente da República João Goulart determinou que as atividades do IBAD fossem suspensas por três meses.

O prazo foi prorrogado por mais três meses e, finalmente, em 20 de dezembro de 1963, o IBAD foi dissolvido por ordem judicial.

O Integralismo
Plínio Salgado foi um político, escritor, jornalista e teólogo brasileiro que fundou e liderou a Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de extrema-direita INSPIRADO nos princípios do MOVIMENTO FASCISTA ITALIANO.

Inicialmente um adepto do governo de Getúlio Vargas, foi mais tarde preso e obrigado a se exilar em Portugal, acusado de promover levantes. Após retornar ao Brasil, lançou o Partido de Representação Popular (PRP).

Não é de se espantar que após a instauração do golpe militar no Brasil, Plínio Salgado filia-se ao ARENA, juntamente com quem?…. Isso mesmo! AÉCIO CUNHA, o Aécio pai.

Ambos ocuparam cadeiras como deputados pelo ARENA nesse período, vale-se lembrar também que com a instauração do bipartidarismo muitos (se não todos) integralistas foram para o ARENA seguindo os passos de seu líder Plínio.

É até engraçado, se não vergonhoso pensar que Plínio Salgado, fundador e líder do movimento dito Nacionalista, tenha aceitado dinheiro estrangeiro, assim como toda a sua bancada. Dinheiro que foi usado para conspirar contra a própria pátria.

Me pergunto: que tipo de nacionalismo é esse?

Outro nome interessante na lista é o de Mário Covas, avô do atual prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas.

Além do próprio Mazzilli, que declarou a vacância da presidência da república, permitindo então a consolidação do golpe militar de 1964.

Você pode conferir a edição completa do Jornal correio da manhã clicando aqui.

Segue a lista completa dos envolvidos:

Este artigo não representa necessariamente a opinião da Revista Fórum

 


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