o colunista

por Cleber Lourenço

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19 de dezembro de 2019, 10h23

Medo da rachadinha ou do que ela pode revelar?

A chance do caso acabar empurrando a família presidencial novamente para o caso Marielle Franco são grandes

A quebra de sigilo bancário e também das mensagens no entorno de Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz ainda vai render no noticiário brasileiro, está apenas no começo.

Mas há algumas coisas que chamam a atenção, como a revelação de que Fabrício já em dezembro de 2017, temia que a contratação da esposa de um miliciano pudesse trazer problemas ao gabinete.

Em uma das conversas reveladas pelo Estadão, Queiroz chega a perguntar de forma enfática se Danielle Mendonça já havia se separado do miliciano Adriano Magalhães de Nóbrega, envolvido no assassinato da vereadora Marielle Franco.

As conversas também confirmaram que Danielle fez parte do gabinete de Flávio Bolsonaro pela influência direta de Adriano.

O Ministério Público já encontrou indícios de desvio de salários de assessores e agora também se aprofunda nas conexões da família presidencial com parentes de milicianos.

Durante o período em que trabalharam para Flávio Bolsonaro, a esposa e a mãe de Adriano enviaram R$ 203 mil para Queiroz e sacaram mais R$ 202 mil em espécie.

Não é por menos, que certamente o maior temor da família Bolsonaro talvez não seja a rachadinha em si, mas o que ela pode acabar revelando, como por exemplo as possíveis perigosas conexões do clã.

Com o flagrante envolvimento de milicianos no caso Queiroz, o MP fez a operação também para conseguir resguardar todos os mais de 90 envolvidos no processo, uma vez que qualquer “queima de arquivo” chamará ainda mais a atenção da imprensa e dos investigadores.

E a coisa não para por aí, Diego Sodré de Castro Ambrósio, um policial militar investigado por oferecer serviços ilegais de segurança pagou uma prestação, no valor de R$ 16.564,81, para quitar a compra de um apartamento  por Flávio Bolsonaro.

Ambrósio que na ocasião era Cabo, hoje é terceiro sargento, mesmo assim seu salário ainda é de menos de 5 mil reais. Incompatível com o valor pago na época.

Com todas estas informações, a chance do caso acabar empurrando a família presidencial novamente para o caso Marielle Franco são grandes.

Não podemos nos esquecer que no início deste ano a coluna de Lauro Jardim, de O Globo, revelou que  no auge das notícias sobre o esquema de rachadinha, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, se escondeu em uma casa na favela de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.

Que Coincidentemente é a segunda maior favela da cidade e totalmente dominada pela milícia mais antiga da cidade, o Escritório do Crime, que tem como um dos principais líderes o Adriano Magalhães de Nóbrega.

Além disso, ainda há uma grave  possibilidade de Bolsonaro ter tido conhecimento prévio da operação contra Flávio.

Sem falar das estranhas coincidências, como por exemplo, a deflagração de mais uma fase da lava jato no mesmo dia da operação contra Flávio.

A operação de hoje certamente não foi para obter provas. Eles já possuem registros de conversas via telefone, e-mail, celulares e WhatsApp.

Além de revelar e colocar um holofote nos investigados, ela também foi um recado, um “susto” nos alvos da operação de hoje.

A delação premiada tão alardeada pelos bolsonaristas agora poderá se voltar contra eles.

O que podemos contatar deste episódio todo é: Bolsonaro ainda não aparelhou todas as instituições do país, tão pouco conseguiu consolidar o absolutismo em seu governo.

O Ministério Público embora tenha fartas parcelas favoráveis ao presidente, também não está totalmente “domesticado”, caso contrário isso não teria acontecido.

Bolsonaro está em maus lençóis. Será que era isso que estava deixando eles inquietos e nervosos falando sobre excludente de ilicitude e AI-5?

O que a investigação sobre o laranjal do Queiroz poderá nos revelar?

Termino com o clássico tweet de Carlos Bolsonaro:

Este artigo não reflete necessariamente a opinião da Revista Fórum

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