o colunista

por Cleber Lourenço

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07 de julho de 2019, 20h52

Moro, o vice-presidente do Brasil

A Copa América serviu para duas coisas: mostrar que existe uma seleção além do Neymar e apresentar ao Brasil o novo vice-presidente

Ainda na semana passada eu já havia apontado para Moro abraçando definitivamente o extremismo. Porém a final da Copa América no Maracanã foi a cerimônia oficial de coroação do ministro da Justiça, agora alçado virtualmente ao posto de vice-presidente do Brasil.

Além disso, a “coroação” do ministro também serviu para confirmar o efeito devastador dos vazamentos do site The Intercept Brasil. O projeto pessoal do ex-juiz que oscilava ora entre a presidência em 2022, e ora uma indicação ao STF, virou vinagre. Eu também já havia afirmado aqui, Moro nunca me enganou, mas aquele que era tido como uma voz de moderação agora virou mais um aditivo no show de horrores dos extremistas que ocuparam o Planalto Central.

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Não é por menos que Carlos, o filho mais amalucado da família Bolsonaro, retomou a campanha contra os militares com força total, começando com a fritura do general Heleno. É óbvio que a campanha tem como objetivo final o general Mourão, verdadeiro presidente da república.

O aceno de Moro para a extrema-direita vem acompanhado de um gesto criminoso. Com menos de um ano no cargo, Sergio Moro já passou a Bolsonaro informação sobre inquérito sigiloso e segundo o próprio presidente, recebeu ordem para que a PF abra investigações. Uma justiça criminosa.

Mesmo com a Lava Jato corroendo o núcleo petista, o PT, e o então ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, que estavam no poder no início da operação, sequer se intrometeram ou ousaram interferir no andamento das operações.

Nos próximos dias veremos o retorno do falacioso Olavo de Carvalho e sua linguagem pobre e porca, junto com o acirramento dos embates entre os extremistas e a ala militar do governo.

Moro não pensa duas vezes. Para aquele que já negou uma vez sua entrada para a política, só bastou a filiação em algum partido. Entrou com bola e tudo na política e não esconde.

É ao mesmo tempo que o vice virtual entra de vez para a política, ele também segue a largos passos com o aparelhamento da Polícia Federal. Bolsonaro que por duas vezes tentou atropelar as instituições junto com as suas manifestações amalucadas certamente avançará em uma cruzada de vingança e intimidação.

Quem acompanha o meu Twitter sabe que não é de hoje que denuncio a escalada de um golpe na República construído pouco a pouco para solapar a Constituição, as instituições e os direitos individuais dos cidadãos brasileiros.

Aos que aplaudem, repito mais uma vez, amanhã o inimigo será você. No primeiro dia deste mês eu já havia pontuado também mais este risco.

Moro se projeta para 2022 como vice e isso coloca ele como ainda mais perigoso, assim como o Partido Lavajatista não temeu em perseguir intimidar e prender quem conseguisse ao arrepio da lei. Me preocupo com o que fará o ministro e vice-presidente do país com qualquer um que possa lhe impor qualquer dificuldade em sua empreitada para a vice-presidência oficial em 2022.

Glenn e Jean já sabem os riscos que o Mussolini de Maringá tem, ainda que apenas uma fração.

Precisamos acompanhar atentamente o desenrolar deste novo capítulo da política brasileira.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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