o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
03 de junho de 2020, 19h50

Na beira do abismo? A luz amarela acende!

Leia na coluna de Cleber Lourenço: Sim, a luz amarela acendeu. Se as agressões e depredações institucionais seguirem de maneira impune, teremos saudades de Michel Temer

Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Não, não estamos próximos de um golpe militar, ele nem mesmo está no horizonte das especulações possíveis, mas algumas situações estranhas começam a acontecer.

Nas redes, não apenas um, mas dois estão “pipocando” jornalistas que apontam para uma sublevação das polícias, uma reedição do caos miliciano que tomou conta do Ceará há poucos meses (com o patrocínio do ex-ministro Sergio Moro), agora em escala nacional.

Coluna do Estadão revelou hoje que governadores e autoridades de segurança temem, sim, um descontrole e quebra de hierarquia dos praças em defesa do presidente Jair Bolsonaro. No último domingo (31) eu já havia avisado em meu Twitter que os quartéis das polícias militares poderiam ser o alvo da sanha contra a segurança nacional do presidente. Não deu em outra.

Vide a nota acovardada do governador de São Paulo, João Doria, que chancelou a caçada dos PMs contra manifestantes que protestavam pela democracia e que foram provocados pelo outro lado.

Ainda em abril eu já apontava para setores da PM que flertavam com a quebra de hierarquia, fizeram de forma velada e embusteira sem qualquer reação do governador que deixou a sanha da quebra de hierarquia correr solta pela tropa.

Uma nota oficial da Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar se propôs a ir de forma frontal contra as diretrizes do governador do Estado de São Paulo, João Doria, que naquela ocasião ameaçava prender quem não respeitasse as orientações de isolamento social.

Mais uma vez, o problema aqui não é o golpe, mas a depredação das instituições. Um motim e desordem das PMs em todo o território nacional abriria um precedente perigoso.

O problema é que a cada dia avançamos um pouco mais e encostamos ainda mais a democracia e a Constituição Federal ao alambrado da delinquência.

E agora temos um procurador-geral da República agitando também a bagunça com uma interpretação desonesta do artigo 142 da Constituição. Que os procuradores do MPF foram patrocinadores da barbárie com a operação Lava Jato, isso já era sabido. Mas agora foram além.

Já falei aqui: hoje, pode ser que Bolsonaro não seja capaz de conduzir um golpe, mas amanhã poderá aparecer quem consiga e faça acontecer. Mesmo assim, a mera tentativa, mesmo que sem êxito, produzirá efeitos desastrosos no país.

E ainda temos o vice-presidente, o general Mourão, que essa semana fez uma acertada dobradinha com o general Santos Cruz e negou o golpe. E agora aparece com um discurso totalmente desastroso e que beira ao criminoso que normaliza manifestações que depredam as instituições, minimiza as sequenciais referências ao nazifascismo que o governo e seus membros o fazem, seja citando Mussolini ou até mesmo o próprio governo de Adolf Hitler. Para ele, é “forçar demais a mão”.

Ele acredita ser um exagero comparar o período militar com um governo repleto de militares, presidido por alguém que exalta o período militar e toda semana apoia manifestações que pedem seu retorno. Um governo repleto de generais que hora ou outra ameaçam as instituições e poderes.

O discurso do vice-presidente foi a síntese perfeita do que é o governo: uma opinião que se impõe aos fatos estabelecidos.

Bolsonaro gostou do que viu no domingo com a reação das PMs aos protestos democráticos. E fevereiro, quando o presidente ficou no alambrado do impeachment, ele recorreu ao mesmo expediente.

Antes da Covid-19 tomar o país, eram 12 estados em crise com suas polícias. Forças de segurança realizavam manifestações em 5 Estados, e pressionavam governadores de outros 7. Tudo com apoio de políticos da região que integram a base de apoio bolsonarista. Sem falar de que há, sim, uma ambição para transformar os praças das PMs em militantes da extrema-direita e que respondem diretamente a Jair Bolsonaro

Sim, a luz amarela acendeu. Se as agressões e depredações institucionais seguirem de maneira impune, teremos saudades de Michel Temer.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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