o colunista

por Cleber Lourenço

06 de agosto de 2019, 11h38

Não adianta se dizer “arrependido” mas nunca ter saído de 64

O medo de um eventual governo de Jair Bolsonaro ao lado da Rede Record aparentemente “censurou” o jornalismo da Globo

Moro recebendo prêmio de Ascânio Seleme, do jorna O Globo, e de João Roberto Marinho (Arquivo)

Aconteceu ano passado, mas me lembro como se fosse ontem, decidi lembrar e contar para vocês o que pra mim foi um dos mais tácitos momentos em que a Globo mostrou de que lado estava nas eleições de 2018. O esquema criminoso que causou “traumas” no processo eleitoral de 2018 parece não ter sido noticia suficiente para o jornalismo do grupo Globo. G1, Globo, Bonner, Jornal Nacional, silêncio? Medo? Ou cinismo puro?

Na noite de 17 de outubro do ano passado a edição do Jornal Nacional, como de costume, tratou de diversos temas, até mesmo a venda de um quadro do artista anônimo Banksy, há mais de 5 dias, virou noticia para “hoje”. Menos o escândalo que tomou conta das redes sociais e foi noticia na imprensa internacional com os jornais The Guardian,  The New York Times e The Telegraph.

Um esquema milionário e ilegal de caixa 2 em plena campanha eleitoral envolvendo empresários e a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) para a disseminação de fake news no Whatsapp contra seu adversário, Fernando Haddad (PT) parece não ser importante.

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A GloboNews pareceu estar operando em outro país, alheio ao que aconteceu em uma das eleições mais importantes do últimos anos, falou sobre tudo ao redor do mundo, mas não fez o trabalho que se compromete a fazer: informar seus espectadores.

O lema é “nunca desliga”, mas hoje não, a impressão que tive é de que a emissora não só se manteve desligada como fora do ar, em algum continente inatingível.

Virou uma nota de rodapé, um apêndice dentro do bloco que falou da agenda dos candidatos, mais especificamente na agenda de Fernando Haddad, deu a entender que a denúncia era invenção do candidato petista.

Nos sites do grupo Globo a mesma coisa, sempre que o esquema era mencionado o interlocutor era Fernando Haddad, o opositor.

O Jornal O Globo chegou a publicar algo sobre em seu site, mas foi rapidamente tirado do ar, veja o link abaixo:

https://oglobo.globo.com/economia/bolsonaro-pode-ser-acusado-de-abuso-de-poder-economico-ter-candidatura-impugnada-23165639?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

Estranhamente a matéria foi parar em outro site do grupo, no jornal Extra. Não dá afirmar o motivo disso, mas aparentemente foi o que aconteceu.

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No momento em que mais uma denuncia recaiu no o candidato de extrema-direita, o jornalismo da Rede Globo mais uma vez se mostrou perdido e submisso aos súditos da ditadura militar. Estes que atualmente xingam aos berros a emissora que segundo eles (risos) faz parte de uma espécie de complô marxista para dominar o país.

Em 2013 o jornal o Globo lançou uma nota “reconhecendo” o erro em apoiar editorialmente o golpe de 64, da boca para fora.

De nada adiantou a nota, se a complacência com adoradores do regime e suas falcatruas permanecem assim como era no período do governo militar.

Não mudou muita coisa, a caserna bate o pé e o jornalismo da emissora de Roberto Marinho abaixa a cabeça. Talvez a única diferença dos anos de chumbo para hoje na emissora talvez seja a ausência (física, pois a editorial permanece firme) do patriarca da família Marinho.

O medo de um eventual governo de Jair Bolsonaro ao lado da Rede Record aparentemente “censurou” o jornalismo da Globo.

Pelo visto, a Globo mais uma vez “empossou Mazzilli” para a alegria do seu fundador.

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