Blogs

Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
11 de novembro de 2019, 10h12

Não dá para ser democrático com quem não respeita a democracia

Para a prosperidade de um projeto de desenvolvimento nacional e empoderamento da classe trabalhadora na América Latina deve-se passar principalmente por um processo de expurgo e doutrinação das forças armadas

Mensagem em rua da Bolívia (Reprodução)

A crise que terminou com a renúncia do presidente boliviano Evo Morales serve muito bem para ilustrar e mostrar o que acontece quando vivemos a negar a realidade imposta sobre a política e raciocinamos à base de devaneio.

Infelizmente não há como fugir de duas ações urgentes. Para a prosperidade de um projeto de desenvolvimento nacional e empoderamento da classe trabalhadora na América Latina deve-se passar principalmente por um processo de expurgo e doutrinação das forças armadas. A crise na Bolívia apenas reforça o que eu já digo há anos.

A direita e qualquer inimigo da pátria e dos trabalhadores deve ser tratado com rigidez e firmeza na coerção de setores adeptos do quinta-colunismo nas forças armadas. Com essa gente não há diálogo, republicanismo e democracia. Devemos ser Democratas apenas com quem respeita a democracia.

Já dizia Thomas Sankara, o eterno líder de Burkina Fasso: “Um militar sem formação política, ideológica, é um criminoso em potencial”

Mesmo com a selvageria imposta pela extrema-direita e o neoliberalismo em todos os seus regimes estranhamente há quem dentro da própria esquerda corra para apontar a violência e a firmeza em suprimir sublevações que líderes de esquerda tiveram ao longo dos anos. Há quem estranhamente aponte vigorosamente para a Venezuela como uma ditadura mesmo que há quase 20 anos a mesma viva sob a constante ameaça de um inimigo externo.

Por lá a direita já assassinou pessoas, sequestrou presidentes, desabasteceu mercados, causou fome e provocou conscientemente convulsões sociais.

Há quem sem pestanejar defenda que por lá, assim como no caso de É o Morales, devam ser realizadas eleições observadores da Organização dos Estamos Americanos (OEA).

O “Aécio Boliviano” também é uma figura bem preocupante. A grande face política do golpe boliviano, Luis Camacho, agora presidente do Comitê Cívico Santa Cruz, foi militante e chegou a ser vice-presidente da Unión Juvenil Cruceñista.

Essa juventude “cruceñista” é um grupo paramilitar de “combate de rua” e intimidação mantido pelo Comitê Civico pro Santa Cruz. Uma espécie de camisas negras ou pardas da América Latina.

E as semelhanças com os camisas negras não para por aí, impregnados de racismo e neonazismo, eles pregam a “defesa da raça”, tudo com o objetivo de combater a população indígena..

O grupo também é acusado de ser um dos principais responsáveis pela queima de casas do Barrio Guadalupe em Montero, bairro com grande concentração de indígenas.

Não há como se surpreender com esse tipo de atitude uma vez que temos em mente que o fascismo e Nazismo sempre serão as forças de manutenção e a vanguarda defensora do capitalismo. Assim como aconteceu no levante nazista ucraniano em 2014.

Culpam Evo, Maduro e até mesmo Kristina Kirchner por tentarem se perpetuar no poder, enquanto se calam para nomes como Ângela Merkel, Vladimir Putin e ditaduras atrozes como na Arábia Saudita. Vejam só não demorou muito para ficar claro que o problema não são as pessoas mas o que eles representam e qualquer projeto de poder dedicado ao povo, por menor que seja, sempre será visto como uma ameaça ao capitalismo.

Evo Morales seguiu à risca o protocolo dessa dos defensores do purismo ideológico: diante das tensões sociais e crescimento da direita, chamou a OEA para auditar as eleições. Luís Almagro, Secretário-Geral da OEA, advertiu da obrigatoriedade das recomendações após a auditoria. Uma vez realizada, ficou constatada “fraude”. Evo chamou novas eleições e renovação total do TSE.

O comandante das Forças Armadas pediu sua renúncia. E Evo se viu encastelado, sem alternativas, renunciou.

No mesmo ano um príncipe Saudita mandou assassinar um jornalista da oposição, o homem que foi esquartejado e torturado morreu em solo estrangeiro em uma embaixada da Arábia Saudita. A comunidade internacional ficou estarrecida, mas nada que merecesse uma quarta frota pronta para atirar.

De nada adiantou Evo seguir as regras do jogo quando o outro jogador não está minimamente interessado nas regras mas sim em ganhar o jogo todo.

Repito, qualquer governo minimamente progressista na América do Sul deverá  fazer prevalecer a força da classe proletária sem qualquer timo de flexibilidade, tudo isso em prol até mesmo da segurança do estado democrático de direito. Do contrário, qualquer trabalho de anos para ser desenvolvido será varrido da história em algumas poucas semanas. Achou exagero? Veja como foram os projetos do governo o Dilma para o povo e quantos deles ainda existem, acabaram ou estão acabando com poucas canetadas.

Achou exagerado? Já parou para pensar que em 2019, pleno século XXI, a Bolívia sofreu um golpe militar assim como no Brasil em 1964 ou tantas outras ditaduras latinas do século passado.

 

Notícias relacionadas


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum