o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
24 de julho de 2019, 08h00

O absurdo se tornou comum

Cleber Lourenço: “Estamos nos tornando uma sociedade onde a barbaridade e a selvageria são situações corriqueiras, as quais devemos nos acostumar?”

Foto: Alan Santos/PR

Infelizmente, o país abandonou sua seriedade, a República e o Estado deixaram de lado a sensatez.

É triste, dramático por assim dizer, mas o pior de tudo é ver que absurdos se tornaram banalidade na vida dos cidadãos.

Como aceitamos que um presidente possa declarar abertamente que irá cometer nepotismo sempre, e não ver problema nisso?

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Como aceitamos um presidente, com uma postura antipatriótica, ataque de forma tão rasteira e vil milhões de brasileiros, apenas por morarem no Nordeste?

Quando é que passamos a aceitar corrupção em operações de combate à corrupção?

Vale aquela máxima: o Brasil não é para amadores.

Nessa confusão toda ainda temos as perseguições veladas contra a imprensa. Infelizmente, isso se tornou uma tendência ao redor do mundo. Os governos estão cada vez mais inclinados a reprimir a liberdade de imprensa e o direito do povo à informação relevante para o interesse público.

Mas o que mais me preocupa nesse processo todo é a revelação de uma conspiração, típica de blogs lunáticos da internet, bem no meio da justiça brasileira. Um conluio entre o Ministério Público e juízes para alterar o curso do processo eleitoral do ano passado.

Em qualquer democracia séria estaríamos avaliando a possibilidade de um novo pleito, mas no Brasil não. Na verdade, há ainda quem justifique tal absurdo e, por mais bombásticas que sejam as revelações feitas de forma quase que semanal sobre a conspiração, parece que a perplexidade das pessoas também está caindo.

Não estou criticando o conteúdo, tampouco o ritmo em que está sendo publicado. Estou perplexo com a gradual queda de repercussão das revelações. Isso me preocupa.

Soldados do Exército brasileiro executaram dois civis e deram mais de 80 tiros em um carro de família no Rio de Janeiro. O país não parou, nem mesmo após as declarações esdrúxulas e jocosas de membros do governo sobre o ocorrido.

Estamos nos tornando uma sociedade onde a barbaridade e a selvageria são situações corriqueiras, as quais devemos nos acostumar?

No fundo, no meu íntimo, eu sabia que se ali a sociedade não parou, nada mais faria parar.

Nem mesmo os acintes do presidente, ao afirmar que irá beneficiar os filhos, sim. Nem mesmo ele transformando a República em uma espécie de monarquia disforme.

Mas não é por menos, todos os dias somos bombardeados com notícias negativas sobre a perspectiva dos brasileiros, só na semana passada o presidente e o governo por diversas vezes mostraram seu desprezo pelos trabalhadores e pelo país. Triste!

Acontece que as pessoas não sabem ou não querem reagir, pois desistiram. Muitos votaram no governo que está aí com esperança de mudança, de encontrar o que faltava na política e foram (sem justificativa) surpreendidos com o que foi exposto.

Um presidente grosseiro, chucro e vaidoso, que só leva em consideração as opiniões emitidas por um espelho ou por um velho senil.

O Brasil perdeu a capacidade de se indignar e, a cada dia que passa, isso me preocupa mais, pois mostra a principal vitória do verdadeiro plano de governo de Jair Bolsonaro: a banalização do absurdo, a demolição das instituições e o aparelhamento do Estado.

Infelizmente, o que temos agora é um Estado aparelhado, uma política externa aparelhada e uma política impregnada de viés ideológico.

O governo Bolsonaro não quer deixar uma marca na história e, sim, um hematoma na República, ferindo de morte a democracia brasileira. Ela irá resistir?

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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