o colunista

por Cleber Lourenço

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29 de novembro de 2019, 21h53

O governo quebrou e está em pânico; só resta a agenda de ódio

Cleber Lourenço: “A agenda econômica, que era a justificativa para o endosso da imprensa brasileira às barbáries cometidas pelo Planalto, sumiu dos noticiários"

Foto: Marcos Corrêa/PR

Nos últimos dias assistimos a uma verdadeira escalada de ameaças do governo, desde menções ao AI-5 até excludente de ilicitude. Tudo com a premissa de que o país estaria à beira de uma explosão de manifestações e convulsão social.

Acontece que o Brasil não se encontra próximo disso, tampouco há quem promova isso. As ruas estão calmas.

Aliás, durante toda a semana, questionei os motivos de tanto pavor do governo e, mesmo apostando ainda todas as fichas no temor de uma certa vereadora revelar uma face ainda mais perversa da família presidencial, acontece que os indícios são outros. Na verdade, é uma mistura de fatores, mas o mais importante e gritante é algo que o Planalto anda tentando esconder desesperadamente: o governo Bolsonaro quebrou.

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Não no sentido econômico, de ir à bancarrota, falência. A agenda econômica do governo se esgotou, não renderá bons frutos e, provavelmente, jogará o país para o caos social.

Vejam só, a agenda econômica, que era a justificativa para o endosso da imprensa brasileira às barbáries cometidas pelo Planalto, sumiu dos noticiários. Veículos, como O Estado de S. Paulo (Estadão), deixaram os editoriais aveludados de lado e agora pedem até a saída de ministros.

O bote que sustentava a família Bolsonaro furou. Agora, só resta fatiar o Brasil ao meio, estimular a divisão da sociedade e juntar suas hordas em torno do discurso de ódio contra tudo e todos.

Quando falei que o relógio do Apocalipse para Bolsonaro já havia começado a contar, não era torcida, não era exagero, era análise.

De Brasília até São Paulo, os bastidores políticos do país apostam no encurtamento do mandato do “Seu Jair”, aquele da casa 58. Inclusive, já noticiei isso outras vezes. No dia primeiro de agosto deste ano eu já havia alertado sobre a tese que ronda políticos pelo país.

A truculência, a pauta ideologia e o “Jair da campanha” voltaram para ficar e agora são as únicas coisas que restaram ao governo.

Não por menos, Jair voltou para as manchetes com suas nomeações baseadas unicamente no viés ideológico, vide a Fundação Palmares e seu atual dirigente. O gabinete do ódio está a todo o vapor.

Não são poucas as colunas que escrevi neste blog, que apontam para o fato de que o governo se tornará cada vez mais hostil e autoritário, conforme se aproxima do fim dele ou do início de uma crise social.

Paulo Guedes e seus rompantes de fúria, evocando o AI-5, são sinais, ou melhor, sintomas de que ele também sabe que o tempo esgotou, junto com suas fracassadas previsões.

A coisa só piora. Dois dos três filhos do presidente envolvidos na política estão com a polícia no encalço. Flávio, enrolado na investigação envolvendo Queiroz e as laranjas, e Carlos, na CPMI das Fake News e no assassinato de Marielle Franco.

É por isso que o Palácio do Planalto fala tanto em Chile, em Colômbia e outros países da América Latina, onde diversos governos neoliberais falharam e como consequência enfrentaram o ardor das ruas e o vigor do povo.

A análise é uma: se Bolsonaro ficar, será pior para o país. É o único caso que conheço em que a prosperidade seria o pior resultado possível. Exagero? Bolsonaro já mostrou que seu objetivo é destruir e não construir.

Coloca um ministro antiacadêmico para cuidar da Educação; um negro racista para cuidar de uma fundação, que tem como objetivo promover a inclusão social de negros; um chanceler antiglobalista em um mundo globalizado e assim por diante.

Ele já deixou bem claro que não irá mudar essa postura. Logo, a prosperidade de um governo, que tem como objetivo destruir, não pode ser positivo para o país. Basta saber se Moro se manterá ao lado de Bolsonaro, assim como os músicos que permaneceram tocando no Titanic.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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