o colunista

por Cleber Lourenço

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25 de março de 2020, 22h33

O processo de impeachment de Bolsonaro já começou

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "Um processo de impeachment começa nos noticiários, na sociedade, nas redes, com representantes do mercado financeiro, com atores importantes da sociedade, nas demais instituições e aí, por fim, vai parar no Congresso"

Reprodução/TV Brasil

Antes que comecem a soltar rojões… Não, Rodrigo Maia não deu abertura no processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

Sejamos honestos… Um processo de impeachment começa antes mesmo de chegar no Congresso Nacional.

Começa nos noticiários, na sociedade, nas redes, com representantes do mercado financeiro, com atores importantes da sociedade, nas demais instituições e aí, por fim, vai parar no Congresso.

Por isso eu digo que o processo de impeachment já começou.

E que bom que é assim. A deposição de um chefe do Executivo é sempre um processo traumático que deixa sequelas, ainda mais em nosso contexto atual onde mal saímos de um processo de deposição de uma presidente eleita. Sequer fazem 10 anos!

É preciso cautela e, por mais doloroso que seja, infelizmente devemos, mais do que nunca, ter essa morosidade e precisão para dar andamento no processo.

Isso não quer dizer que nada é feito até o momento final.

A presidência do Senado não esperou sequer 30 minutos e lançou uma nota repudiando o pronunciamento delinquente do presidente Jair Bolsonaro.

Nem durante os atos do dia 15 o Senado foi tão duro.

Há dias falam em Brasília que os votos para o impeachment já estão garantidos nas duas casas. Hoje o Senado confirmou essa suspeita.

Fernando Henrique Cardoso e João Amoêdo, que são interlocutores do mercado, até então evitavam falar sobre o encurtamento do mandato de Bolsonaro.

Sempre foram brandos em suas ponderações insossas.

E após o discurso do presidente, ambos levantaram a possibilidade da saída de Bolsonaro do cargo.

Após uma série de declarações do governo federal e seus membros minimizando a crise causada pelo coronavírus, o comandante das Forças Armadas, General Edison Pujol, gravou um pronunciamento para a tropa.

No vídeo, ele contradiz o presidente e reforça que o vírus é, sim, preocupante, e que deve ser combatido – além de não citar em nenhum momento Bolsonaro na cadeira de comando, mas sim o ministro da Defesa.

Com isso, mais um ator se moveu no tabuleiro do processo de impeachment.

A baixíssima aprovação em São Paulo, cidade onde ele teve 60% dos votos no segundo turno de 2018, também assusta o Planalto.

Aqui nesse blog eu já apontei várias vezes que, quanto mais acusado, mais errático o governo se torna.

E foi esse o desespero que motivou a gravação do pronunciamento desta terça-feira (25) em rede nacional.

Segundo o jornal Estadão, quem cuidou do do texto do pronunciamento foi o alucinado Carlos Bolsonaro, filho do Bolsonaro, com apoio de integrantes do gabinete do ódio.

Por isso aquele horror demente.

Bolsonaro, que é contra o isolamento social no combate ao coronavírus, agora promove seu próprio isolamento político.

Ele se distancia da sociedade e se apega unicamente a extremistas e radicais de direita.

Há muitos elementos em jogo e a regra de 10 (10% de aprovação) ainda é determinante para isso.

Ainda não saíram pesquisas de opinião com a repercussão das últimas declarações do presidente. A situação tende a se agravar para o Planalto.

Enfim, o processo de impeachment está em andamento. Se vai terminar com o expurgo do presidente ou não? Não sei.


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