o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
07 de maio de 2020, 23h08

Os militares terão que escolher a pátria ou Bolsonaro

Leia na coluna de Cleber Lourenço: Em breve as covas coletivas serão uma realidade e, então, no meio de tantas mortes e terror, os militares terão que fazer uma escolha. Ficarão ao lado do país ou ao lado dos algozes da nossa soberania?

Jair Bolsonaro em inauguração de colégio militar em SP (Foto: Carolina Antunes/PR)

Primeiro não sabem muito bem o que estão fazendo e depois acabam fazendo besteira, é assim que os militares e empresários se comportam toda vez que se metem na vida política do país. Uma tradição viva desde os primórdios da República.

Infelizmente, no caso dos nossos fardados, o verde-oliva é ainda mais grave, pois não se limitam em seus moldes institucionais e fustigam a própria imagem, além de causarem mais desordem do que ordem no país.

Porém, pela primeira vez, os militares possuem a oportunidade de voltarem atrás sem derramarem uma gota de sangue em seus porões e os empresários podem colocar a mão na consciência antes de entregarem uma mala de dinheiro para o primeiro Amaury Kruel que encontrarem pela frente.

Antes mesmo de iniciar sua cruzada para ocupar o Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro já humilhava, ofendia e atacava a cúpula militar. Em seus tempos como capitão, acabou sendo “convidado” a se retirar. O próprio General Geisel também não gostava do badernista em suas fileiras.

Jair, Carlos e Olavo se revezaram na humilhação, chamados de incompetentes, até lenientes, com um suposto avanço imaginário do comunismo no Brasil. Houve até mesmo uma semana em 2019 onde Olavo de Carvalho ofendeu e xingou os militares por seguidos dias, para no mesmo final de semana ser recebido com um jantar de homenagem do próprio presidente. É um contumaz agressor da cúpula militar que prega a quebra de hierarquia, a baderna e a indisciplina na tropa.

Os militares acharam que poderiam segurar e até mesmo manipular o estulto presidente. Erraram feio e, agora, assim como em 64, colocaram o prestígio em uma fogueira.

Já os empresários, por outro lado, queriam apenas o neoliberalismo selvagem, menos estado, menos impostos, menos leis e barbaridade para os trabalhadores. Quem oferecesse o maior pacote de delinquências sociais. É claro que Bolsonaro levou tudo, afinal de contas, lidera de forma absoluta qualquer tipo de disputa que envolva ser infame.

Hoje, quando foram levados ao Supremo Tribunal Federal, cruzando a pé a Praça dos Três Poderes, foram pegos de surpresa. Pior ainda foi quando o presidente ligou a câmera e decidiu transmitir a reunião ao vivo. A brevidade da reunião se deve por dois motivos: o encontro era um encaixe na agenda do ministro Dias Toffoli e os empresários ali presentes não estavam prontos para dizer qualquer coisa que não soasse cruel e perversa para os mais de 200 milhões de brasileiros ao redor do país.

A verdade é que continuamos empilhando corpos enquanto o presidente faz arruaça, trata com desdém a morte de brasileiros e despreza a vida humana.

O Brasil teve tempo para se preparar e ainda preparar os estados e municípios para o coronavírus, conseguiu assistir os problemas e efeitos em outros países. Mesmo assim não fez nada para evitar a contagem de corpos que se aproxima dos 10mil (isso sem contar as sub-notificações).

Se tivesses desde o começo trabalhado para minimizar os efeitos da doença no país, teríamos ficado menos tempo sob os efeitos e prejuízos da pandemia. Se o país e a indústria estão em crise a culpa é do Bolsonaro que não fez nada! E não do isolamento!

Paramos de comprar respiradores, não estamos investindo em leitos, hospitais federais ou de campanha do governo federal. Governadores e prefeitos estão sozinhos precisando contrabandear equipamentos de saúde em seu próprio país. Isso é um descalabro!

E é esse descalabro que Bolsonaro quis parcelar com os empresários. Sabe que sua imagem está derretendo perante a opinião pública e então lançou seus “cabos eleitorais” para a fogueira também, quem sabe para ver se aumenta o fogo.

E enquanto isso, me pergunto: a custo de que os militares seguem suportando um sujeito que os trata na base dos pontapés?!

Neste exato momento o presidente avalia a troca do comandante das Forças Armadas, tudo porque o general não faz parte da turba delinquente de fardados quadrúpedes que se curvam. Pujol é bípede e isso incomoda o presidente.

Quarteis e generais de todo o país trabalham ativamente em ações de combate ao coronavírus, desinfecção de vias públicas, testagem, vacinações. Rasgam sua missão institucional que também é uma missão constitucional.

O artigo 142 da Constituição define claramente que as Forças Armadas se destinam à defesa da Pátria, não se referindo a qualquer atitude belicosa ou emprego do Poder Militar em intervenções externas.

Mas tampouco defendem a pátria e seus compatriotas de um presidente que diz “e daí” ao ver corpos de brasileiros se empilharem perante uma doença. E, agora, com a doença chegando ao seu auge, direciona todas as suas forças para atender os anseios de empresários que colocariam a saúde e até mesmo a vida de outros milhões em risco.

É com esse tipo de gente que a farda verde-oliva quer se sujar? Uma família que está – em sua totalidade – sob suspeita de envolvimento com organizações criminosas, além de elogiar criminosos e homicidas e até mesmo está sob suspeita em um caso de duplo homicídio.

Em breve as covas coletivas serão uma realidade e, então, no meio de tantas mortes e terror, os militares terão que fazer uma escolha. Ficarão ao lado do país ou ao lado dos algozes da nossa soberania?

Para um militar comprometido com o país e seus compatriotas essa não deve ser uma escolha difícil. Infelizmente há quem ficará suando frio quando precisar escolher.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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