o colunista

por Cleber Lourenço

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31 de janeiro de 2020, 11h04

Os outros casos de racismo no Itaú

A hashtag #itauracista tomou conta dos assuntos mais comentados na rede social Twitter depois que a esteticista Lorenna Vieira, esposa do DJ Rennan da Penha, afirmou ter sido vítima de racismo. Mas, ela não é a única

Campanha de "diversidade" do Itaú (Reprodução)

Nesta sexta-feira (31) a hashtag #itauracista tomou conta dos assuntos mais comentados na rede social Twitter.

O motivo? A esteticista Lorenna Vieira, esposa do DJ Rennan da Penha, afirma ter sido vítima de preconceito e racismo na quinta-feira (30) em uma agência do Banco Itaú, quando foi levada para uma delegacia.

Segundo a vítima, os funcionários do banco afirmaram que as movimentações bancárias em sua conta eram suspeitas. Acontece que até agora o Itaú não soube explicar os critérios que levaram perfil bancário de Lorenna a ser tratado como suspeito.

Mas não é a primeira vez que o Itaú se envolve em polêmicas, denúncias e até mesmo casos graves de racismo.

Em dezembro de 2006 o jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza morreu após ser baleado por um segurança em uma agência do Banco Itaú no Rio de Janeiro.

Segundo testemunhas, Jonas teria se irritado com o processo vexatório ao qual foi submetido em uma porta giratória.

Ao discutir com um dos seguranças da agência, acabou entrando em luta corporal e foi baleado no peito.

Em novembro do ano passado, um outro caso também chamou a atenção nas redes sociais. A professora da prefeitura de São Paulo Frida R. Santos Silva, também negra, passou por um constrangimento semelhante ao de Jonas ao tentar passar por uma porta giratória de uma agência do Itaú localizada no Itaim Paulista. Segue o relato da professora:

“Ontem fui ao banco fazer uma transferência, pedi para a pessoa que estava passando as senhas para que ela passa-se as senhas de quem ia aos caixas, já que outras pessoas demorariam mais para serem atendidas em razão de atividades mais complexas. O rapaz questionou, mas me atendeu.

Porém ao tentar entrar no banco pela porta giratória fui barrada 8 vezes, mesmo não portando nada de metal,  fiquei alterada pois estava sendo constrangida. O segurança do banco  mesmo depois de eu colocar todos os pertences na caixinha disse que eu não iria entrar, porque eu era folgada. Eu disse que entraria e somente depois de muita resistência a gerente Karen, disse que eu não ia entrar na agência e que iria chamar a polícia  disse que poderia chamar. Ao chegar o policial disse que eu deveria acompanhá-lo à delegacia, eu falei que não iria. Iria somente depois para registrar boletim de ocorrência contra os funcionários da agência, pois entendo que houve discriminação com a minha pessoa. Inclusive este não sendo o primeiro episódio nesta agência comigo de atos discriminatórios. No mês de junho o funcionário me obrigou a sair da agência com R $ 5.000,00 na bolsa, pois não fariam a transferência eletrônica em razão de eu ter feito a portabilidade para o banco Itaú. Em 12 de maio de 2012, fato semelhante já havia ocorrido então preciso que haja justiça. Pois o mínimo que as pessoas merecem é respeito.”

Em dezembro do ano passado o Sindicato dos Bancários denunciou também a ausência de negros aprovados no processo seletivo para trainee no banco.

Em 2015 o banco também foi condenado pela 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo a indenizar um cliente em R$ 20 mil a título de danos morais pela prática do crime de racismo.

O cliente ao entrar na agência foi barrado na porta giratória, mas os seguranças não liberaram a trava mesmo o cliente demonstrando que não tinha nenhum objeto metálico em sua posse.

Depois de conseguir entrar no banco, ele recebeu atendimento normalmente. Porém quando saiu policiais militares armados o abordaram, pois, segundo os autos do processo, a agência teria ativado o alarme de assalto.

O cliente teve de colocar as mãos na cabeça, encostar na parede e ser revistado para provar que não havia roubado nada.

Em março de 2014 a empresária negra Marina Silva também foi vítima de racismo em uma agência do Banco Itaú no Rio de Janeiro.

Segundo ela, enquanto outras pessoas passavam pela porta sem maiores dificuldades, ela foi obrigada a passar por procedimento de revista.

Por conta disso ela registrou um boletim de ocorrência na 23ª delegacia do Méier.

Mais casos?

Estes são apenas alguns dos casos que separei de forma superficial para mostrar o histórico de episódios envolvendo racismo e o Banco Itaú. Até o momento o Banco não se pronunciou de maneira satisfatória sobre o caso de Lorenna.

Vale lembrar que foi em uma agência do Banco Itaú também no Rio de Janeiro onde foram realizados os mais de 40 depósitos fracionados na conta de Flávio Bolsonaro. Uma movimentação que aparentemente não se enquadra na lista de movimentações suspeitas.

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