o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
27 de julho de 2020, 22h36

Perde o Brasil: a campanha da Lava Jato para 2022 continua

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "A entrevista de Moro ao Financial Times é mais uma das tentativas do ex-ministro de se posicionar no páreo de 2022, para o pavor do Estado de Direito"

Dallagnol e Sergio Moro (Foto: Arquivo)

Durante o final de semana, Moro fez mais uma contribuição para a sua própria campanha eleitoral de Schrödinger.

Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Moro afirmou que foi usado pelo governo Bolsonaro. Também disse que, durante o governo, a agenda anticorrupção não avançou.

Bem, Moro não pode alegar desconhecimento de onde estava se enfiando… Marcelo Álvaro Antônio, atual Ministro do Turismo, é alvo de uma denúncia que aponta o envolvimento em um esquema de candidatas laranjas em Minas Gerais. Ele foi colega de governo do ex-ministro Moro.

Ainda em 2018, antes mesmo de assumir como ministro, Moro foi questionado por um jornalista sobre como ele se posicionava diante do fato de que Onyx Lorenzoni, escolhido para ser ministro da Casa Civil, é réu confesso por uso de caixa 2. Respondeu: “Ele já admitiu e pediu desculpas”.

Sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Queiroz, ele declarou em uma entrevista: “Essa é uma investigação preliminar, não há nada conclusivo sobre isso e no momento o caso está nas mãos dos promotores estaduais. Então, eles estão fazendo seu trabalho de maneira normal”. E completou: “O governo nunca vai interferir no trabalho dos investigadores ou no trabalho com promotores”.

Agiu com uma cautela extraordinária e jamais vista em seus tempos de juiz federal. Pelo contrário. Sempre foi agitador, usou de grampos ilegais contra uma presidente e todo tipo de artifício para ganhar dos seus “adversários”. O The Intercept também revelou que seus companheiros de militância na Lava Jato de Curitiba concordaram não haver dúvidas de corrupção de Flávio Bolsonaro no caso Queiroz.

Logo, Moro sabia bem onde estava, tanto é que enquanto esteve no governo, trabalhou paulatinamente para ser o novo rosto da extrema-direita brasileira. Será que preciso lembrar de sua atuação vergonhosa ao lado do seu afilhado de casamento diante crise com os policiais militares do Ceará?

Sua entrevista no Financial Times é mais uma das tentativas do ex-ministro de se posicionar no páreo de 2022, para o pavor do Estado de Direito.

Mas qual seria o motivo para o pavor? Nesse mesmo final de semana o jornal Folha de São Paulo revelou que Marcelo Odebrecht relatou ameaça da Lava Jato e pressão da operação contra a empresa em cartas escritas durante sua prisão.

O ex-presidente do conglomerado e principal empresário detido na Lava Jato no Paraná relatou que os investigadores falaram na possibilidade de mais operações sobre o grupo caso ele conseguisse habeas corpus para sair da prisão em 2016. Ou seja, intimidação! O recado é claro: “Saia sem falar o que queremos e iremos atrás de você!”

Isso deixa claro que a operação instaurou uma espécie de “prisão para averiguação”, que não é recepcionada pela Constituição de 1988, logo, a Lava Jato atropelou a Constituição! O que é tragicamente cômico, já que ao Financial Times, Moro disse: “Não acho que dá para combater corrupção sem respeitar a lei”.

E não é a primeira vez que o lavajatismo acena para a barbárie. Enquanto ministro, ele defendeu de forma fervorosa o Pacote Anticrime com o excludente de ilicitude para uma das polícias mais letais do mundo e o plea bargain [delação premiada] em um país lar de uma operação que chuta a constituição com uma prisão para averiguação clandestina.

Para encerrar, deixo o aviso: continue aplaudindo o vale-tudo contra a corrupção, porém não adianta reclamar quando o guarda da esquina pegar você, mesmo que você seja um “cidadão de bem”.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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