o colunista

por Cleber Lourenço

19 de julho de 2019, 14h50

Plano Cohen, Rio-centro e agora se chama SSS

A dúvida que me persegue é: a Veja, a mesma revista que publicou o conto do boimate, publicou a história por pura inocência e convicção com o que foi publicado, ou estaria desempenhando o mesmo papel de general Góes?

Reportagem da revista Veja (Reprodução)

No Brasil, mas também em outras partes do planeta a extrema-direita possui o hábito de se consolidar através do medo e do pânico para depois implementar a perseguição, a tortura e a censura. É histórico.

Em 27 de fevereiro de 1933, o Reichstag, em Berlim, foi ateado em fogo, até hoje não se sabe ao certo os autores ou causas do incêndio, porém o acontecimento foi crucial para o estabelecimento da Alemanha nazista uma vez que a extrema-direita alemã acusou os comunistas de tal feito.

Embora um episódio interessante da história mundial, irei buscar focar em nossos próprios “Reichstags” nas terras de santa cruz.

Quatro anos após o incêndio na Alemanha, em 1937, o general Góes Monteiro chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, noticiou, através do programa de rádio Hora do Brasil, a descoberta de um suposto plano que tinha como principal objetivo derrubar o presidente Getúlio Vargas. Segundo o general, o Plano Cohen, como passou a ser chamado, tinha sido arquitetado, em conjunto, pelo Partido Comunista Brasileiro e por organizações comunistas internacionais.

No dia seguinte ao programa de rádio, Getúlio Vargas solicitou ao Congresso Nacional a decretação do Estado de Guerra, concedido naquele mesmo 1º de outubro e, em seguida, usando dos poderes que esse instrumento lhe atribuía, deu início a uma intensa perseguição. Com isso Getúlio mandou o Exército cercar o Congresso Nacional, no Rio de Janeiro.

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Porém em 1945 o mesmo general Góes admitiu que o documento, tinha sido escrito na verdade pelo capitão Olímpio Mourão Filho, na época, chefe do Serviço Secreto da Ação Integralista Brasileira (AIB). Mourão Filho, por sua vez, admitiu ter elaborado o documento, a pedido de Plínio Salgado, dirigente da AIB, afirmando, porém, tratar-se de uma simulação de insurreição comunista, apenas para efeito de estudos e utilizado exclusivamente no âmbito interno da AIB. No entanto, uma cópia do documento chegou ao conhecimento da cúpula das Forças Armadas, que, através do general Góes Monteiro, anunciou o Plano Cohen como uma ameaça iminente.

Vale lembrar que o capitão Olímpio Mourão Filho também esteve envolvido com o golpe militar de 1964 quando liderou as tropas de minas gerais para “tomarem” o Rio de Janeiro.

Foram também ataques terroristas executados pela própria direita e atribuídos aos militantes e estudantes de esquerda que motivaram um maior endurecimento da ditadura militar com a instauração do Ato Institucional número cinco (AI-5). Documentos do Supremo Tribunal Militar confirmam os fatos, clique aqui para conferir.

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Assim como o famoso atentado Rio-centro nas vésperas do fim definitivo da ditadura militar e que tinha como principal objetivo justificar a renovação do regime autoritário no Brasil.

Agora me causa muita estranheza, que a mesma Revista Veja que publica conversas da Vaza Jato publique uma história, no mínimo fantasiosa sobre um suposto grupo terrorista conhecido como “Sociedade Secreta Silvestre” que seria um braço brasileiro do movimento eco extremista internacional Individualistas que Tendem ao Selvagem (ITS).

Segundo a reportagem da revista, eles teriam entrevistado o suposto líder do tal grupo no país, conhecido como “Anhangá” e que teria detalhado planos e intenções do grupo de assassinar o presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem dá importância e audiência para um suposto grupo e suas “ações” que jamais receberia o destaque em qualquer noticiário do país.

É impossível não se recordar da famigerada entrevista do apresentador Gugu Liberato com “membros” do Primeiro Comando da Capital (PCC) conforme você vai se aprofundando na matéria.

A dúvida que me persegue é: a Veja, a mesma revista que publicou o conto do boimate, publicou a história por pura inocência e convicção com o que foi publicado, ou estaria desempenhando o mesmo papel de general Góes?

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Bem, de lá pra cá ainda temos um Mourão no exército. E ainda lhes coloco mais uma suspeita…

Seriam as ameaças apenas uma bravata? Será que tirar o desastroso presidente de cena seria de interesse da caserna? Será que de fato matariam o presidente, jogariam a culpa na esquerda e colheriam os frutos do feito?

Não gosto de suposições, na verdade tenho horror em dar espaço para a imaginação nas minhas colunas, mas esta história me incomoda e não me parece ser o que está exposto.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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