o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
22 de junho de 2020, 23h52

Quem vai apagar a luz? O golpe acabou

Leia a análise de Cleber Lourenço: "A principal preocupação do governo e da família Bolsonaro é sobreviver"

Foto: Reprodução/TV Globo

A crise infinita finalmente encontrou um fim, se Bolsonaro irá ou não terminar o mandato ainda é muito cedo para afirmar. Mas uma coisa é certa: o gás da intentona direitista acabou.

Desde a prisão do Fabricio Queiroz, restaram apenas dois caminhos para Bolsonaro e seus celerados de estimação, a “pacificação do governo”, ou seja, um governo fraco e inexpressivo e que mal poderá editar Medidas Provisórias, algo não muito diferente do que temos hoje.

Ou então a guinada total para a radicalização, com um, porém: sem forças armadas, sem bravata de golpe ou sublevação das polícias que com isso encontrará o seu fim em um processo de impeachment ou cassação da chapa.

A verdade é que se antes não havia condições de sustentação de um golpe, agora há menos ainda. A principal preocupação do governo e da família Bolsonaro é sobreviver, de preferência no Planalto e longe das grades.

Se no começo desse mês o governo já havia ficado da espessura de um isopor, agora não passa de uma folha sulfite.

O comportamento do presidente nesse final de semana poderá se tornar algo frequente. Bolsonaro não foi às ruas apoiar as manifestações contra a democracia.

Afinal de contas, quem bancará os arroubos autoritários do presidente? Os 300 (que não são nem 30) de Brasília? Se antes a cúpula do exército já não aplaudia suas loucuras, agora então…

E esse é o preço de viver com bravatas vazias, no momento em que as instituições brasileiras sentiram que o caminho estava livre para a defesa da democracia foram avassaladoras, prisões, apreensões e operações por todo canto, de Queiroz até Sara e com isso as investigações sobre as rachadinhas ainda tomaram um novo fôlego.

A verdade é que a democracia descobriu que não está sozinha.

É Claro, o comportamento não é consenso no bolsonarismo, nesse momento, apoiadores mais “apaixonados” podem acabar piorando ainda mais as coisas.

Pelo visto o pânico do com o impeachment, e agora, até mesmo com a cadeia, está fazendo aflorar qualquer ideia tresloucada.

O deputado bolsonarista Filipe Barros saiu na frente, chamou os policiais para uma sublevação.

 A mensagem que antes era sutil e cifrada, agora é velada não por estratégia, mas por desespero mesmo.

Algo contrastante com já que as coisas estão tão difíceis no Planalto que não só o GSI mas também outros membros do governo estudam o fim das “coletivas” no cercadinho do Alvorada.

Generais da ativa e da reserva decidiram se calar, essa semana não tivemos “notas” do Heleno e outros militares sobre a prisão do Queiroz ou Sara Winter. Nenhum estardalhaço.

O Planalto já sabe que a relação com o advogado Wassef está indo para o vinagre. Basta uma prisão ou uma declaração errada.

Já há quem esteja pensando em maneiras de “eliminar” o problema e está alarmado com a situação. O advogado poderá fazer a delação antes mesmo que o cliente ou o réu.

 Ficou feio para os militares. Vão fazer bravata pra que? Pra defender isso aí?

Se o governo já acabou eu não sei, mas o tal risco de o golpe sim.


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