o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
25 de junho de 2020, 22h27

Se Flávio e Queiroz permitirem, Bolsonaro poderá terminar o mandato

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "Melhor que a deposição do presidente, é ver um incendiário correndo com baldes d’água"

Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz - Foto: Reprodução

As instituições deram um belo de um enquadro no presidente, prenderam apoiadores criminosos, fizeram o presidente se comportar conforme a as regras vigentes, impondo o uso de máscaras em passeios públicos, derrubaram seguidas MPs descabidas e avançaram de maneira contundente contra o descalabro da rede de disseminação de fake news que orbitam o Palácio do Planalto.

Além disso, ainda temos a prisão de Fabrício Queiroz e o avanço avassalador das investigações no entorno de Flávio Bolsonaro e as rachadinhas na Alerj.

Acontece que o que está em jogo não é a deposição do Bolsonaro, mas sim fazê-lo de exemplo para que outros eventuais delinquentes constitucionais pensem duas vezes antes de avançarem contra a República.

Melhor que a deposição do presidente, é ver um incendiário correndo com baldes d’água. Deixou de ir ao cercadinho do Alvorada, está evitando agitar as manifestações de domingo e agora substitui os militares nos cargos de segundo escalão em troca de parlamentares e suas indicações para criar uma base.

Bolsonaro agora precisa se comportar conforme a institucionalidade e também conforme as regras mais básicas de civilidade.

Se Bolsonaro se manter assim, certamente chegará ao final do seu mandato, desde que dance conforme a música.

Vide a nova nomeação para o Ministério da Educação. Um nome mais neutro, militar, partidário das loucuras do presidente. Entrou no governo, porém, em um momento onde o Rivotril se faz presente.

Ao mesmo tempo em que assume uma pasta loteada por indicações do centrão, que em regra não gostam muito de fanfarra e conspiracionismo (isso não dá dinheiro).

Não serão as investigações em curso pelo STF, TSE ou PGR que derrubarão o presidente, porém farão o mesmo se comportar.

A única coisa que poderá determinar em que ano Bolsonaro sairá do Palácio é, ironicamente, o seu filho… Flávio!

Não é só um caso de rachadinhas, já foi revelada a simbiótica relação de Queiroz com as milícias e ainda pode ir muito além.

Uma reportagem de abril do The Intercept Brasil revelou que o filho de Jair Bolsonaro lucrou com a construção ilegal de prédios erguidos pela milícia usando dinheiro público. É o que mostram documentos sigilosos aos quais o portal teve acesso.

Se o Bolsonaro dessa semana for o Bolsonaro de todas as outras semanas seguintes, certamente terminará o mandato mesmo que seja em um governo medíocre e chinfrim que não proporciona nada de positivo ao país e que não deixa nenhuma marca se não a do fracasso.

É como diria o eterno Mané Garrincha: “O senhor já combinou com os russos?”.

Agora só falta combinar tudo isso com Flávio, Queiroz e Wassef.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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