o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
15 de julho de 2020, 00h11

Se governadores não atuarem, teremos milicianos fardados

Leia a análise de Cleber Lourenço

Reprodução/Ponte Jornalismo

Há um verdadeiro embaraço quando o assunto são os recentes episódios de violência policial em São Paulo. Sejamos justos, não podemos atribuir tais episódios aos bolsonarismo ou ao projeto de radicalização das PMs que eu já falei aqui.

Os episódios de violência são uma coisa, a radicalização é outra, mas talvez não por muito tempo. A violência policial em São Paulo sempre existiu, desde as chacinas nas periferias, comandadas por esquadrões da morte e que ocorrem após a morte de algum agente de segurança pública até agressões contra trabalhadores e pessoas humildes.

Não é casual, é estrutural. Mas o que muda dos anos 90 pra cá? Um presidente que até o final do primeiro semestre trabalhou ativamente incitando a sublevação das forçar de segurança no país, principalmente durante o motim da Polícia Militar no Ceará.

Quer dizer que o famigerado “golpe miliciano” está em vias de acontecer? Não! Nem mesmo próximo. E mesmo que ocorresse, PMs teriam que trocar tiros com o exército e o país ainda teria que suportar a pressão internacional no dia seguinte, o mundo não gosta do Bolsonaro.

Outro ponto, o recuo do presidente e seu flagrante medo das instituições deixam claro que o “seu Jair” não possui sequer um estilingue para atirar em pássaros, quem dirá dar golpe.

Mas isso não significa que tais episódios não devam ser combatidos e suprimidos para evitar algo mais grave.

O que está em jogo aqui não é um golpe, mas sim o estímulo a indisciplina. Durante a baderna promovida pela delinquência fardada cearense governadores de diversos estados se viram impelidos a distribuir gordos aumentos salariais sob a mira de uma glock.

Exagero? Sejamos lógicos quem tem arma, camburão e dá tiro, não faz exigência, faz ameaça! É evidente a sintonia fina dos PMs com o presidente. E certamente não é prudente a conivência de governadores com a violência policial, principalmente quando líder da República aplaude tais episódios e as vezes até mesmo estimula.

A verdade é que não vivemos o risco de um golpe dos batalhões, porém vivemos sim sob a ameaça de um descontrole generalizado das PMs que podem recorrer ao terrorismo e banditismo sempre que uma “exigência” não for atendida.

Leia também: Moro, o extremista, decide agitar os milicianos do Ceará e do Brasil

Os governadores irão suportar mais dois anos de acintes e ameaças daqueles que lhe devem subordinação? E se Bolsonaro for reeleito (nada é tão ruim que não possa piorar)? Vão aguentar mais quatro anos de tensão e ameaças?

O que mudou da violência policial de antes para agora? Agora o governo federal aplaude, elogia e chama criminosos encapuzados de heróis, este último foi dito pelo chefe da Força Nacional, é mole?

No caso do governador João Doria a situação é ainda mais delicada, já existem associações e organizações de PMs que declaradamente ameaçam o governo do estado.

Os milicianos não irão dar golpe, mas vão extorquir.

Em tempo: A falta de “força” do presidente Jair Bolsonaro é tão grande que o mesmo não disse uma linha sequer sobre o atrito entre o ministro Gilmar Mendes e as Forças Armadas. Estes últimos também responderam dentro da institucionalidade com uma representação à PGR.

O Planalto não está com essa bola toda.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum


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