o colunista

por Cleber Lourenço

12 de julho de 2019, 21h34

Sete momentos para você não querer Eduardo como embaixador

Cleber Lourenço faz a lista das principais gafes protagonizadas pelo filho do presidente, que pode se tornar embaixador do Brasil nos EUA

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) preside a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e, mesmo assim, protagonizou gafes não só dentro como fora dela. Confira a lista abaixo:

1-Ele nem sabia a diferença entre os grupos palestinos Fatah e Hamas até esses dias. Em maio deste ano, Eduardo cancelou reunião com o embaixador palestino por causa dos ataques do Hamas contra Israel. O que não fez o mínimo sentido, pois o embaixador palestino é do Fatah, adversário do Hamas.

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2-Ao questionar o vice-primeiro-ministro da Itália e ministro do Interior, Mateo Salvini, sobre a questão imigratória, Eduardo cometeu uma gafe ao confundir os termos em latim “jus sanguinis” e “jus soli”.

“Jus sanguinis” é um termo que significa “direito de sangue” e garante ao indivíduo a cidadania de um país por meio de sua ascendência. É uma pauta defendida pela Liga Norte, de Salvini. Já o “jus soli” significa “direito de solo” e dá ao indivíduo o direito à nacionalidade do lugar onde nasceu.

3-Depois de Jair Bolsonaro anunciar que vai facilitar a entrada de cidadãos estadunidenses no Brasil, sem reciprocidade no tratamento, o filho Eduardo justificou a medida ofendendo os brasileiros. Ele disse que os imigrantes em situação irregular fora do País são um “problema do Brasil” e uma “vergonha nossa”.

4-Eduardo Bolsonaro também já ameaçou a relação Brasil-China. No ano passado, o deputado, em um acesso de irresponsabilidade, avaliou que a China (que compra 27% das exportações brasileiras) se tornou o maior parceiro comercial do Brasil por “razões ideológicas” e não por estar se transformando na maior economia do mundo. Por muito pouco não chegou a comparar a China à Alemanha de Hitler. Em entrevista ele fez a seguinte declaração:

“Os EUA sempre foram o principal parceiro econômico do Brasil. Só não foram em dois momentos da nossa história. Um nos anos 1930, quando o presidente Getúlio Vargas se aproximou de Hitler, e nós tivemos a Alemanha nazista como principal parceiro comercial do Brasil. E novamente agora, por razões ideológicas, a China, que desde 2009 é a principal parceira comercial do Brasil”.

5-Além disso, no início deste ano o deputado provocou um estremecimento sem precedentes na relação com os países árabes, parceiros comerciais estratégicos do Brasil, e defendeu uma mudança imediata da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Ainda em provocação, ele afirmou que defendia a mudança no primeiro mês de governo.

6-Ainda sobre Israel e a embaixada, o deputado federal ainda afirmou que o Brasil apoiaria políticas para “frear o Irã”, realizadas pelos Estados Unidos, como forma de compensar os países árabes pela transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, mostrando um notório desconhecimento da complexidade da realidade geopolítica do Oriente Médio e ignorando as inúmeras divisões e grupos na região como sunitas e xiitas

7-Ministro do McDonald´s. Ao defender sua nomeação para a embaixada ele declarou:

“É difícil falar de si próprio, né? Mas não sou um filho de deputado que está do nada vindo a ser alçado a essa condição. Tem muito trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores, tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos, no frio do Maine, estado que faz divisa com o Canadá, no frio do Colorado, em uma montanha lá. Aprimorei o meu inglês, vi como é o trato receptivo do norte-americano para com os brasileiros”.

Isto dispensa qualquer comentário.

BÔNUS! “Embaixador” Eduardo Bolsonaro blindou convocação de Moro para falar sobre visita à CIA e ao FBI na Câmara. CLIQUE AQUI E VEJA MAIS.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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