o colunista

por Cleber Lourenço

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25 de julho de 2019, 09h25

Suposto hacker de Araraquara pode ser a isca perfeita

Tenho fortes indícios para acreditar que esse rapaz já era investigado por crimes anteriores como os estelionato e violência doméstica, foi pego e preso, lá ofereceram a oportunidade de ser o cara que Moro precisava. A PF, comandada por Moro, foi lá e executou a coisa toda

Walter Delgatti Neto, o Vermelho (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Ontem eu recebi em primeira mão uma denúncia de uma mulher que não quis ser identificada em que ela afirma que Walter Delgatti Neto, o “Vermelho”, declarou ser amigo do Editor e Cofundador The Intercept Brasil, Glenn Greenwald e ter acesso aos arquivos da vaza jato.

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Nas conversas que datam entre o final de junho e o início de julho Walter teria conversado através de mensagens privadas no Instagram, onde tentou levar vantagem em função da suposta amizade com o Glenn e ainda afirmou ser estudante de direito.

Ao enviar seu suposto contato de Whatsapp ele passou um número com código de área dos Estados Unidos (?).  Ele também disse que por ser amigo de Grennwald sabia o que estaria por vir.

Isa afirma que ele teria enviado um print de uma suposta conversa de procuradores da força tarefa da lava jato, porém rapidamente ele apagou tais mensagens na conversa e afirmou que estava com medo. Também insistiu repetidamente para que ela lhe chamasse no Whatsapp.

Acontece que Walter criou sua conta no Twitter em 2010 e em 4 de agosto de 2011 deixou de publicar em seu perfil, retornando em 27 de maio de 2019, poucos dias antes da primeira publicação da vaza jato que foi em 9 de junho.

Quando retornou ao Twitter ele se apresentou como um ativo militante da esquerda mesmo sendo filiado ao Democratas no diretório de Araraquara, partido que possui inclusive membros no primeiro escalão no governo de extrema-direita do presidente Jair Bolsonaro.

Verificando o perfil de Walter nesta quarta-feira (24) descobri que ele inclusive me segue também no Twitter, porém nunca entrou em contato comigo por aqui ou pelo meu Instagram.

Ontem o advogado de Walter (vermelho) declarou que seu cliente possui problemas psiquiátricos.

Também nesta quarta-feira em entrevista para a BBC Brasil, o  advogado Ariovaldo Moreira, defensor de Gustavo Henrique Elias Santos, um dos presos pela Polícia Federal (PF) na Operação Spoofing afirmou que seu cliente tem informações a dar sobre a investigação e que o caso “não tem nada a ver” com a publicação de diálogos atribuídos ao ex-juiz e ministro da Justiça Sergio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol pelo site The Intercept Brasil.

Também afirmei em minha coluna que há fortes indícios de que a operação e os supostos hackers não teriam qualquer ligação com os vazamentos, veja aqui.

Em contato com, Alexandre de Santi, Editor adjunto do The Intercept Brasil ele afirmou: “nós não falamos sobre as nossas fontes”.

Tenho fortes indícios para acreditar que esse rapaz já era investigado por crimes anteriores como os estelionato e violência doméstica, foi pego e preso, lá ofereceram a oportunidade de ser o cara que Moro precisava. A PF, comandada por Moro, foi lá e executou a coisa toda.

Vejam só, ele era um hacker com um computador velho Itautec e tinha IP identificável e salvava gravações na tela inicial do computador, sem nuvem, sem pasta protegida, e ia vender os arquivos todos ao PT, fonte de todos os males segundo Bolsonaro, Moro e sua esposa Rosangela. Aí como mencionei acima começou a usar o Twitter dias antes das primeiras revelações da vaza jato e mais, ainda estava anunciando aos 4 cantos que era um suposto amigo do Glenn, que tinha acesso ao material simplesmente por ser “amigo”.

Sabe o que me parece, que ele falou isso justamente para formar um álibi, uma narrativa, para quando fosse preso tivesse como falar: “Eu era o hacker sim, até contei pata outras pessoas, pode ver minhas redes sociais, nas conversas privadas”.

E sabe-se lá com quantas pessoas mais ele falou e jogou essa conversa fiada.

Acontece que o Brasil deixou de ser um lugar sério faz tempo e agora tudo que nos resta são essas situações circenses até mesmo em operações de órgãos como a polícia federal.

Não estou convencido de que esta operação está indo por um bom caminho, na verdade me preocupo com o que está se desenhando no país.

Em tempo: Dou meus parabéns para a polícia federal que agiu com extrema-direita agilidade para prender os supostos hackers, agilidade que não é vista para se interrogar e investigar o famoso Queiroz amigo íntimo da família presidencial. Deveriam aproveitar a nova  “aquisição” para aprender como acessar notebooks sem senhas, já que ficaram, em agosto 2017, quase dois meses sem acessar os computadores de Marcelo Odebrecht por não possuírem a senha. Ah! E só conseguiram pois em setembro do mesmo ano a Odebrecht conseguiu as famigeradas senhas.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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