sábado, 26 set 2020
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Tabata Amaral: aquela que roubou o mandato de seus eleitores

Se eu fosse eleitor da deputada Tabata Amaral estaria agora com um profundo sentimento de ter sido lesado, após a entrevista dela com a jornalista Amanda Audi, do site The Intercept, na sexta-feira (12/7). Durante a entrevista ela declarou:

“Seria muito mais fácil virar para as redes sociais, falar que sou contra a Previdência e ser adorada por isso. No momento, o governo me odeia e a esquerda também”, disse a deputada. “Se com isso eu me tornar impopular e não ser reeleita, beleza. Com a formação que eu tenho, consigo emprego onde eu quiser. Eu volto a trabalhar e continuo o ativismo de outros lugares”.

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Francamente, pra mim essa foi a parte mais grave de toda a carreira política dela. Uma desfaçatez absurda com o seu eleitorado.

Porém, não seria a primeira vez que a deputada sairia por aí dizendo impropérios…

Em abril deste ano, durante um evento das revistas Veja e Exame ela disse:

“Essa coisa de esquerda e direita ameaça a democracia”.

Não vou elencar agora os problemas dessa frase, já tratei sobre isso e o flerte com a pós-política em outro texto, basta clicar aqui para conferir.

Na primeira frase, Tabata basicamente cuspiu na cara do eleitorado, afirmando de forma velada não precisar deles. Em uma leitura mais ousada seria possível dizer até mesmo que pouco importava a opinião deles.

Um dia antes da publicação da entrevista com a infame frase, foi votado um destaque da reforma da Previdência, proposto pelo PSOL, para preservar o direito dos trabalhadores que ganham entre um, dois e três salários mínimos. A ideia seria que eles recebessem abono salarial, que o texto base da reforma lhe negava.

PT e PSOL votaram a favor 100%, no PSB só 3 de 31 votaram contra, já o PDT… só 1 voto contra

Conseguem imaginar de quem?

O eleitor que não se sentir lesado, depois dessa não tem como ficar bem. Tabata não só votou pela reforma da Previdência como também foi contra destaques, em especial esse que tinha como foco o trabalhador mais humilde.

Mas não é apenas isso. O pior é o grupo que a deputada pertence. Eles defendem que mestrado e doutorado não aumentam a “efetividade” do professor. Logo, não deveria haver incentivo para isso.

Em uma apresentação de “power point”, publicada por ela, podemos ver pérolas como: “Os concursos públicos de professores no Brasil, via de regra, avaliam conteúdos de cunho mais teórico (pouco relevantes para o exercício da docência”. Clique aqui para conferir também.

Porém, só se surpreendeu com Tabata quem estava começando na política ontem. Quem de fato acompanha já via a tragédia que se anunciava.

Se eu fosse um eleitor incauto da Tabata me sentiria lesado, quase que vítima de um estelionato eleitoral.

Mas não pense que ela está preocupada, afinal de contas… “ela arranja um emprego onde quiser”.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.
Cleber Lourenço
Cleber Lourenço
Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito. E-mail: [email protected]