o colunista

por Cleber Lourenço

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11 de julho de 2019, 18h42

Tabata Amaral e a praga da política “nem-nem”

"Essa coisa de esquerda e direita ameaça a democracia’, disse deputada Tabata Amaral. O que ameaça a democracia, na verdade, são os interesses do mercado em detrimento às necessidades da população, do trabalhador, do humilde e do comum, mas isso a Tabata sabe, já que é a garota-propaganda de empresários. Não é por menos que ela defende uma proposta de reforma da Previdência.

Reprodução/Facebook

“Essa coisa de esquerda e direita ameaça a democracia’, disse deputada Tabata Amaral (PDT-SP), em abril deste ano, no fórum “VEJA EXAME – 100 Dias de Governo”, que reuniu políticos e pensadores para debater o novo momento do país.

Basicamente ela disse: para salvar a democracia, precisamos acabar com a democracia. A polarização da sociedade é resultado direto da politização ideológica e isso faz parte da disputa pelo poder, não existe política sem a disputa de ideias, linhas de pensamentos e ideologias, sejam elas de direita ou esquerda. Até porque, se você não se posiciona, alguém irá lhe posicionar.

O que ameaça a democracia são os interesses do mercado em detrimento às necessidades da população, do trabalhador, do humilde e do comum, mas isso a Tabata Amaral sabe, já que é a garota-propaganda de empresários. Não é por menos que ela defende uma proposta de reforma da Previdência. O falecido Plínio de Arruda Sampaio disse: “Empresário não faz doação, faz investimento!”. Essa frase nunca fez tanto sentido!

Desde 2013 não só o país, como o mundo todo, sofre com o fenômeno da pós-política, ou seja, a despolitização da sociedade. Como? Criando um abismo entre a sociedade e a política, algo como “menos Brasília e mais Brasil”, mas é claro que não é só isso. A proposta desse tipo de pensamento é uma ideia que vai além de partidos e ideologias, uma iniciativa que finge ter como principal objetivo pensar o Brasil.

Acontece que esse discurso, muito bonitinho no papel, tem na verdade o objetivo de mascarar os interesses de grupos econômicos que buscam se reinserir na sociedade.

Se no século passado o mal foi o fascismo, hoje ele trocou de roupa, botou um sorriso no rosto e passou a se chamar “nova política” ou pós-política.

Quando estabelecidos, os defensores dessa linha de pensamento, sem explicar muito bem o motivo, “professam” a crença de que o sistema como um todo está em ruínas, defendendo a necessidade imediata de ruptura, por meio da mudança completa das regras e lógicas, sem também explicar muito bem como isso será feito, ou quando.

Vejam só como foi a ascensão do Mussolini e Hitler. Irão perceber que a receita não foi muito diferente, você bombardeia a população com soluções simples para problemas complexos, critica “tudo isso que está aí” e no final se vende como nem de esquerda, ou nem de direita.

E vejam só que coisa, não é por menos que Hitler e Mussolini se diziam uma “terceira via”, o que hoje chamamos de “nem de esquerda e nem de direita”, mas no fim, direita.

Não, Tabata não é uma nazista inveterada dona de um antissemitismo reprimido. Na verdade, ela é apenas uma inocente entre tantos outros que compram um discurso de embalagem muito bonitinha e conteúdo extremamente podre.

Isso funciona com um poderoso processo de despolitização, que busca fazer o indivíduo não reconhecer a que grupo político pertence, transformando o indivíduo em objeto, uma engrenagem feita para o “bem maior”. O melhor exemplo disso são os trabalhadores assalariados que militam contra a taxação de grandes fortunas e em defesa da reforma da Previdência.

Nova política, “bom gestor”, pós-política ou fascismo. O nome muda, os anos também, mas no fim o objetivo é o mesmo, fazer as pessoas abdicarem de fazerem suas escolhas políticas para que façam essas escolhas por elas.

Não é ruim ser de esquerda ou de direita, tão pouco criticar qualquer um dos lados, o problema está em se colocar acima e querer mudar as regras do jogo em defesa de uma suposta maioria contra uma minoria.

O que está em jogo aqui é o fim da disputa de poder entre o 1% e os outros 99%, é isso que a pós-política sempre buscará, vencer em nome dos 1%.

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