o colunista

por Cleber Lourenço

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09 de agosto de 2019, 22h39

Toffoli: O que faz um ministro do STF agir como se fosse da Casa Civil?

Cleber Lourenço: “Se Bolsonaro seguir com essa escalada chancelada por Toffoli, só restarão duas opções: o golpe ou o impeachment”

Foto: Marcos Côrrea/PR

Durante uma entrevista para a Revista Veja, o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), se vangloriou de sua atuação, que, segundo ele, foi fundamental para colocar panos quentes na crise que se desenhava entre abril e maio. O ministro revelou que setores políticos e empresariais, além de militares, estudavam um levante e o expurgo do presidente Jair Bolsonaro do Palácio do Planalto.

Na entrevista, ele ainda revela que generais próximos ao presidente já estudavam, inclusive, a possibilidade de um golpe.

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As declarações não surpreendem, já que, no início de agosto, eu revelei aqui neste blog que fontes próximas ao ex-ministro Gilberto Kassab revelaram que ele disse que Doria sabia que o governo Bolsonaro duraria no máximo dois anos. Segundo a fonte, Kassab foi enfático:

“O governador (Doria) tem certeza que o Bolsonaro só vai ficar dois anos”.

Porém, isso é trabalho para Dias Toffoli? Não! Ao que parece, por algum motivo o ministro togado se preocupa mais com a defesa do governo do que da Constituição e do Estado democrático de direito.

Recentemente, em uma reunião de mulheres com o governo, advinha quem estava lá? Isso mesmo, Toffoli.

É triste ver o grau de aparelhamento das instituições. Mês passado escrevi dois textos sobre Toffoli se colocar como membro do governo. No primeiro, embora a justificativa para a decisão de Flávio Bolsonaro em um primeiro momento me parecesse correta, foi difícil esquecer a citação do presidente:

“É muito bom termos aqui a Justiça ao nosso lado”, disse Bolsonaro, no dia 30 de maio, ao lado de Toffoli, que “tem sido uma pessoa excepcional”.

Ficaria claro que Eduardo Bolsonaro estava errado. Na verdade, para fechar o STF basta: um soldado, um cabo e um Toffoli.

Alguns dias depois, publiquei uma nota fazendo algumas reparações sobre o texto anterior, inclusive, apontando que Toffoli deveria, então, sair do STF e ir para a Advocacia Geral da União. Após essa entrevista, ficou claro que seu papel deveria ser ainda o de ministro, mas não do Supremo e, sim, da Casa Civil, hoje comandada pelo inexpressivo político Onyx Lorenzoni. Certamente, Toffoli trabalha muito melhor as articulações do governo do que o ex-parlamentar do Democratas.

Isso não foi só uma vez. Toffoli chegou a trabalhar com articulações que tinham como foco a retomada do crescimento socioeconômico do país!

Acontece que, além disso, o STF assiste atônito aos atropelos do bolsonarismo ao redor do país, de exaltação a torturadores, até o ressurgimento de um novo DOPS, sem uma palavra sequer e ainda me causa mais estranheza ver Toffoli, que é alvo contumaz dos bolsonaristas, em uma defesa tão aguerrida do já combalido governo.

E eu já avisei aqui, se Bolsonaro seguir com essa escalada chancelada por Toffoli, só restarão duas opções: o golpe ou o impeachment.

Até lá, a pergunta que fica é: afinal de contas, Toffoli é o verdadeiro ministro da Casa Civil?

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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