Tropa vê Bolsonaro como alucinado e Braga Netto como presidente

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "É confortável - para os militares - que Bolsonaro fique no poder como bucha de canhão enquanto os militares assumem tudo"

Nas últimas semanas, os militares voltaram ao centro do noticiário nacional com as declarações do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno.

Embora apoiada por militares, a nota tinha o mesmo objetivo das ameaças do general Villas Bôas em 2018, nenhum efeito prático se não intimidar e coagir, mas sem nenhuma consequência.

Conversando com alguns militares tanto da ativa como dá reserva, há um consenso de que o presidente Jair Bolsonaro é mais um militante que jamais saiu da campanha com um discurso impregnado de exageros e ideologia.

Fica também cada vez mais claro que Braga Netto é quem tenta dar as cartas, na semana passada já havia falado que o governo atual é de centro-direita, provavelmente ignorou a inclinação extremista do presidente e seus ministros próximos.

Aliás, perceba que durante o vídeo da reunião ministerial quem conduz tudo é Braga Netto, que assim como Mourão, permaneceram boa parte do encontro em silêncio, deixando que os extremistas falassem sem endossar qualquer maluquice proferida pelos ministros mais desatinados ali.

É muito mais provável que os militares palacianos Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno sejam vozes mais solitárias no que tange ao endosso da condução puramente ideológica e destrambelhada do presidente.

É confortável – para os militares – que Bolsonaro fique no poder como bucha de canhão enquanto os militares assumem tudo.

Não sou eu que digo isso, são os fatos. Um presidente que supostamente teria força suficiente para afrontar as instituições, daria indiretinhas em ministros do Supremo Tribunal Federal como se fosse um adolescente?

E que depois ainda correria no dia seguinte para soltar uma nota cheia de amenidades, tentando colocar panos quentes em suas bravatas.

Braga Netto é o fiador e articulador da aproximação do governo com o centrão e isso eu já havia pontuado no dia 20 de abril. Aproximação que incomodou a ala radical do governo, basta também ver o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril onde o ministro da Educação, Abrahan Weintraub, diz em duas falas distintas:

“A gente tá conversando com quem a gente tinha que lutar”.

“Eu percebo que tem, assim, tem o jogo que é jogado aqui, mas eu não vim pra jogar o jogo. Eu vim aqui pra lutar”.

Certamente é sobre as negociações com o centrão que estão sendo articuladas e que há poucos dias havia colocado o ministro em rota de colisão com o presidente que assessorado pelos militares, tentou colocar políticos em alguns cargos da pasta. Algo que Weintraub resistiu até o último momento. Cedeu na iminência da publicação do vídeo sabendo que o efeito seria cáustico contra ele próprio.

É claro, isso não elimina o fato que há uma parcela dentro da tropa que também apoia uma aventura contra a democracia e que não chega a ser expressiva e é essa parcela que Bolsonaro tenta aumentar e dar relevância no seu jogo.

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Cleber Lourenço

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