o colunista

por Cleber Lourenço

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26 de dezembro de 2019, 20h01

Um breve histórico da reorganização dos integralistas no Brasil

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "O ataque a bomba à produtora do Porta dos Fundos foi reivindicado por um grupo que se diz integralista; saiba como eles se organizaram nos últimos anos e como suas ideias podem até mesmo ter chegado ao Planalto com o PRTB de Hamilton Mourão"

Três homens encapuzados que dizem ser do “Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira” gravaram um vídeo que começou a circular nas redes sociais nesta quarta-feira (25) reivindicando a autoria do ataque a bomba contra a sede da produtora do Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro, na terça-feira (24).

O ataque acontece após o surgimento de diferentes grupos de integralistas nas redes sociais. Recentemente o jornal O Estado de São Paulo também fez duas matérias falando sobre a ascensão integralista.

Agora, integralistas assumem autoria de atentado terrorista. Não preciso nem lembrar sobre Bolsonaro e o CQC, né?

No Rio de Janeiro, grupos também apareceram em publicações nas redes sociais (Reprodução)

 

Reprodução

Acontece que o ato terrorista contra o grupo Porta dos Fundos só faz parte de mais um capítulo da escalada de violência da extrema-direita ao redor do país e no mundo.

O grupo que se diz envolvido no atentado é o mesmo que, em dezembro de 2018, fez um outro vídeo onde queimava bandeiras antifascistas roubadas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da UniRio. No fim da gravação, o grupo evocou a saudação “Anauê”.

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Afinal, o que é integralismo?

Ainda no dia 6 de dezembro, um post com a frase “um dia a nossa paciência vai acabar” rodou páginas e grupos integralistas.

Reprodução

18 dias depois um grupo que se intitula integralista assume a autoria de um atentado.

A paciência acabou?

História repetida

Não seria a primeira vez que grupos criminosos e até mesmo terroristas se declarariam adeptos do movimento fascista.

No estado de São Paulo grupos como os Carecas do ABC (assumidamente integralistas) são, desde 2011, um dos maiores problemas, segundo a Polícia Civil.

Além disso, grupos como estes não surgem e se fortalecem sem apoio institucional.

Recentemente detalhei como o integralismo busca se viabilizar de forma eleitoral através do PRTB, partido do vice-presidente da República. Mas não é só isso…

A dezembrada e o PRTB do vice-presidente

Em 2015 era fundado grupo de extrema-direita Frente Nacionalista e junto com a sua formação, um evento chamado “dezembrada”. Anunciada como um congresso (realizado em Curitiba) que unificaria várias vertentes da extrema-direita do país, desde o nazismo até o integralismo (versão brasileira do fascismo), o evento foi, inclusive, apoiado pelo PRTB.

No seu cartaz de divulgação, o PRTB, partido liderado por Levy Fidelix, aparece como um dos responsáveis pela realização do evento. Após pressões de entidades como a OAB e o Ministério Público, assim como de moradores da região, o evento foi cancelado sem que se soubesse como se deu a colaboração do partido do General Mourão e do homem do aerotrem.

Reprodução

Inspiração em Mussolini e na Ação Integralista

Em sua página no Facebook, a Frente Nacionalista negou qualquer simpatia com o nazismo e com o fascismo, embora admita “alguns pontos programáticos oriundos do fascismo”.

O vídeo de apresentação do movimento, no entanto, conta com um áudio de saudações ao nazismo, como ‘Heil Hitler’.

A Frente Nacionalista informa em sua página oficial que foi fundada em abril de 2015 e que se trata de “um movimento político-partidário que reúne agrupamentos nacionalistas de várias tendências cujas vozes eram interditadas na constelação de partidos que gravitam em torno do esquerdismo e do fisiologismo”.

O grupo que aparentemente sumiu das redes sociais prega a chamada Terceira Posição política, uma linha de pensamento que é o cerne de criação do fascismo por Benito Mussolini e que atualmente se faz comum entre os movimentos nazistas ao redor do mundo, que não se colocam nem à esquerda, nem à direita, mas que pregam o ultranacionalismo e são movidos por um sentimento anticomunista, mas também contra capitalismo liberal.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

 

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