o colunista

por Cleber Lourenço

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09 de julho de 2019, 09h13

Uma educação em maus lençóis

Cleber Lourenço: "Vista uma camisa de força antes de entrar. Não vai demorar muito para que exista uma placa no Ministério da Educação com esta frase"

Foto: Reprodução

De Vélez, para Weintraub chegando na Tabata. A semelhança? Todos possuem “patrões” que ditam as suas agendas.

Enquanto Vélez, o ministro estrangeiro, não sabia o que fazer com uma das pastas do país, Weintraub sabe muito bem, assim como um lenhador, que tem a habilidade de manusear um machado afiado.

Entre falar mal do Brasil, dos brasileiros e louvar Olavo de Carvalho, existe um sujeito com rancor das universidades. E, por isso, nada de construtivo foi proposto, nenhuma ideia para melhorar o ensino público, nenhum plano de ação para que as escolas brasileiras deixem de ter paredes de barro no interior.

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Apenas cortes e destruição. “Vamos desfazer isso e aquilo, acabar com isso”. Um verdadeiro show de horrores. E até lá ficamos assim, com um elefante branco na sala e que o governo não sabe o que fazer.

Porém, se de um lado há gente mal-intencionada e incompetente, por outro temos figurinhas “cheias de boas intenções” e como diria o velho ditado: “De boas intenções, o inferno está cheio”.

E é aí que entra a Tabata Amaral (Batata Liberal para os opositores). De fala mansa e bem técnica, a jovem enxotou um velho ministro incompetente e triturou aquilo que é a marca assinada do governo, a substituição de propostas concretas por listinhas de boas intenções.

Ela não é de todo mal, mas ainda há um problema grave aí. Tabata, embora vá negar, atua em favor de um lobby de grandes empresários.

Não é por menos que suas boas intenções vão até a página dois. A deputada acredita que a solução para professores mais qualificados é aumentar a nota de corte no Enem por decreto.

Em um país onde professores são vítimas de violência, desvalorização e perseguição por parte do governo, onde isso entra?

Ainda há a evasão escolar de estudantes e um triste fato que já começa a se tornar realidade no país. Ninguém mais quer dar aula para ensino básico público. Os bons profissionais saem.

Pior é o grupo que a deputada pertence. Eles defendem que mestrado e doutorado não aumentam a “efetividade” do professor, logo não deveria haver incentivo para isso.

Não é achismo, é fato. Vá na escola pública do seu bairro. Falta estrutura, condições mínimas! Até ano passado mesmo havia escolas na capital paulista nas quais não tinha merenda! Em outros lugares, as aulas foram suspensas por falta de água!

Nesse país há escolas onde não há aula por causa de confrontos entre traficantes e milicianos! Crianças morrem nas salas de aula e portas de escolas!

O professor hoje trabalha com o mesmo medo de um agente penitenciário!

A Tabata, ao querer emplacar uma nota de corte maior no Enem, basicamente joga a culpa dos problemas da educação do país no colo dos professores, quando já cansamos de ver professores tirando dinheiro do próprio bolso para comprar giz e dar aulas!

Em uma apresentação de “power point” publicada por ela, podemos ver pérolas como “os concursos públicos de professores no Brasil, via de regra, avaliam conteúdos de cunho mais teórico (pouco relevantes para o exercício da docência)”. Clique aqui para conferir também.

É de deixar qualquer um louco! É como se os professores não devessem fazer qualquer universidade e, sim, cursinhos de extensão, apenas.

O que a Tabata faz é malabarismo para defender os seus patrões e fugir de soluções gritantes que o Brasil evita implementar:

Melhorar as condições das escolas, dar segurança para o professor lecionar sem perseguição, bons planos de carreira e salário. Simples!

Minto! Na verdade simples, é só jogar a culpa no professor. Nisso, Tabata, Weintraub e Vélez estão de mãos dadas.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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