o colunista

por Cleber Lourenço

12 de julho de 2019, 06h00

Vamos esquecer a previdência dos militares?

Entre 2017 e 2018, déficit na previdência dos militares cresceu 12,85%, para R$ 40,5 bilhões, enquanto no INSS teve alta de 7,4% no período. Vejam só, que curiosos, quase o dobro do INSS

General Augusto Heleno. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Com o desemprego e a informalidade se espalhando de forma endêmica no país e com uma reforma da Previdência que não leva em consideração nenhum destes fatores o prognóstico é ruim: vamos formar um exército de idosos miseráveis nos próximos anos.

A solução para a reforma da previdência? Apresentei ontem aqui. Acontece que neste país o mais humilde sempre pagará pelos benefícios de uma pequena parcela mais abastada da sociedade. No Brasil é assim, não tem jeito! Quem tem MENOS, pagará MAIS.

Os “advogados” da reforma da Previdência alardearam: “a reforma dos militares será feita depois”. Com a mesma desfaçatez de um pai que afirma ao seu filho que na volta comprará o tal brinquedo. No fim , você foi ludibriado.

Ainda acha que o problema são os trabalhadores? Veja só!

Entre 2017 e 2018, déficit na previdência dos militares cresceu 12,85%, para R$ 40,5 bilhões, enquanto no INSS teve alta de 7,4% no período. Vejam só, que curioso, quase o dobro do INSS.

Ainda em 2018 o governo federal precisou bancar quase 95% dos gastos com pensionistas e inativos das Forças Armadas.

As receitas associadas às pensões das Forças Armadas somaram R$ 2,4 bilhões em 2018, cobrindo apenas 5,11% das despesas com militares pensionistas e inativos que ficaram em R$ 47,9 bilhões.

Vejam só este infográfico do Senado federal com a lista de privilégios e os custos para os cofres públicos.

Como você pode ver ainda há muito privilégio, inclusive com as filhas de militares que se estabelecem quase como um casta destacada na sociedade.

Hoje são gastos R$ 47,9 bilhões com pensões e aposentadorias para cerca de 300 mil militares e pensionistas, enquanto a União despende R$ 46,5 bilhões para 680 mil servidores do regime civil.

Então, vejam só. Até mesmo no funcionalismo público os militares se tornaram um fardo na Previdência com metade do contingente em relação aos servidores civis.

Um estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG), em nota técnica publicada nesta semana, ainda alerta para o fato de que a reforma da Previdência pode ter efeito recessivo sobre a economia brasileira. O alerta foi feito com base em um cenário onde os investimentos do setor privado no país ficariam abaixo do esperado por economistas. O estudo ainda mostra que cortes no Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pioram a desigualdade de renda entre as famílias.

O governo também já mostrou que não tem a mínimas disposição de tocar no tema que é tratado de forma secundária e em segundo plano com relação ao texto principal da reforma da Previdência.

Em resumo: as desigualdades serão potencializadas, um horizonte de calamidade paira na vida dos trabalhadores brasileiros e os famigerados privilégios seguem intactos.

Em um país onde se paga imposto em um carro popular e nenhum em um iate, nada mudou, prevaleceu a punição aos pobres e aos desvalidos de um país tão desigual.

Enquanto isso projeto dos militares nem sequer começou a ser analisado pela comissão especial e tampouco tem alguma previsão para ser votado.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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