o colunista

por Cleber Lourenço

Fórum Educação
01 de julho de 2019, 06h37

Vaza Jato: o inimigo agora é você

No lugar de gênios do mal, monstros e bandidos, Moro se tornou herói combatendo inimigos diferentes. Para Moro e seus apoiadores só haveriam dois inimigos, nenhum deles se chama Lula. Os inimigos do “super herói Moro” se chamam: Estado Democrático de direito e Constituição

Sérgio Moro (Foto: Lula Marques)

Embora muita gente não tenha percebido, é notório que o Partido Lavajatista, institucionalizado através da força tarefa da lava jato se tornou um perigo para as liberdades civis, para a democracia e a sociedade civil como um todo.

Mais uma vez neste blog, recorro ao histórico Pedro Aleixo:

“Meu medo é o guarda da esquina “.

Nos tempos atuais, meus medos são o juiz e o procurador da esquina. Não entendeu? Casos simples do dia a dia podem exemplificar o problema da ma-fé e as “boas intenções”:

SITUAÇÃO 1: Você depois de sofrer assédio moral dentro da empresa que trabalha, decide processá-los, na audiência descobre que o juiz é amigo do advogado da empresa e melhor, no WhatsApp o juiz dá instruções de como a empresa pode se safar ou pagar uma indenização menor e mais o juiz ainda faz pouco caso da sua acusação, diz que você fez showzinho e assim vai. Com a reforma trabalhista você ainda será obrigado a pagar os custos não só seus como os da empresa com o processo. Não importa quantas provas você tenha, ou o quão certo esteja, você perderá

SITUAÇÃO 2: Algum conhecido seu, alguém do seu círculo social é pego fazendo algum mal feito, a promotoria então decide que você como amigo ou conhecido deve saber de alguma coisa, então você é preso e só será liberado na hora que falar algo que incrimine este tal conhecido.

Em um país onde detentos sem julgamento ou detidos em carceragens da polícia superam mais de 1,4 milhão de pessoas, isso deveria assustar qualquer um. Pois mostra que, por uma manobra de má-fé da justiça, por qualquer motivo que seja, você pode ter sua vida estilhaçada.

Logo, há quem aplauda os malfeitos da Gestapo de Curitiba e o Partido Lavajatista por dois motivos: ou não sabe o que está acontecendo ou acredita estar blindado de qualquer atropelo da justiça.

A história está repleta de situações em que o horror e a crueldade muitas vezes foram impostos com base na “boa intenção” de pessoas “puras”.

Foi assim como as manifestações na Ucrânia, que logo abriram passagem para um levante neonazista de súditos do eixo em pleno século XXI. A primavera árabe também não terminou com um desfecho muito agradável e até mesmo a ONU, nos anos 90, imbuída de boas intenções, teve sua parcela de culpa em um dos inúmeros massacres ocorridos em Serra Leoa, após pressionar o recém-eleito presidente do país, Ahmad Tejan Kabbah, a encerrar o contrato com o exército de mercenários Executive Outcomes. No dia seguinte, os rebeldes promoveram um massacre em massa de cidadãos.

São exemplos extremos? Sim, mas mostram até onde a barbaridade pode chegar quando “boas intenções” são os únicos pressupostos a se considerar.

No caso da lava jato, imagine quando além disso ainda temos um outro elemento: o projeto de poder. Não é de hoje que denuncio neste blog as movimentações do Partido Lavajatista para assumir a república direta ou indiretamente.

Então agora entenda: imagine que sob o verniz das boas intenções pessoas, agentes do estado promovam verdadeiras perseguições com o único objetivo de atingir um objetivo pessoas ou o interesse de um grupo?

Se os poderosos não estão imunes aos atropelos da justiça e ao esgarçamento do Estado Democrático de direito, imagina nós, meros cidadãos, em sua grande maioria anônimos. Em um país onde punimos com rigor mães que roubam potes de manteiga, ladrões de galinha e realizamos grandes acordos nacionais, o que sobra para nós?

O final deste linchamento da constituição foi desolador, um ex-presidente foi para a cadeia enquanto era o amplo favorito para as eleições daquele ano e se elegeu um presidente da República que se beneficiou da prisão do primeiro colocado nas pesquisas.

E por fim Moro foi alçado ao posto de herói. Mas não um herói comum. No lugar de gênios do mal, monstros e bandidos, Moro se tornou herói combatendo inimigos diferentes. Para Moro e seus apoiadores só haveriam dois inimigos, nenhum deles se chama Lula. Os inimigos do “super herói Moro” se chamam: Estado Democrático de direito e Constituição.

O país precisa urgentemente restabelecer a ordem no judiciário, a normalidade democrática e a segurança institucional e nenhuma destas coisas serão possíveis sem a PEC 37 e uma rigorosa e firme lei que combata os abusos de autoridade em qualquer instância.

Em tempo: acha exagero? Pois veja só que curioso, o complexo prisional de Pinhais, destino de maioria dos alvos da lava jato, é denunciado por práticas de tortura


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