“Amigas perderam papéis porque não deram para o diretor”, revela Samara Felippo

Atriz contou em entrevista que sofreu muito com o machismo, numa época em que o assunto não era discutido. Ela afirma que ouviu até que “não tinha cara de virgem”

Aos 43 anos e com mais de 25 de carreira, a atriz Samara Filippo contou numa entrevista ao podcast “Mais Que 8 Minutos”, apresentado pelo humorista Rafinha Bastos, que já sofreu demais com o machismo e o assédio durante todo esse tempo de vida profissional e resolveu falar sobre os bastidores da TV, onde ela mais atuou, depois de passagens pela Globo e pela Record.

Na entrevista, uma revelação feita por Samara apenas confirmou aos boatos de décadas sobre como funcionam as coisas no meio televisivo.

“Hoje eu olho para trás e vejo os abusos que eu passei. Machismo, coisas que a gente nunca enxergou na época. Vejo amigas que perderam papéis porque não deram para o diretor. Existiu esse lugar”, falou a atriz que iniciou a carreira no extinto seriado Caça Talentos, da Globo, em 1997.

Samara, que teve uma passagem marcante pelo folhetim adolescente Malhação, da mesma emissora, em 1999, disse ainda que, numa ocasião, estava prestes a pegar um papel importante numa novela, sem citar o nome da rede, mas que na hora de concretizar o contrato teve que ouvir uma desculpa ofensiva.

“Eu sentei para pegar um papel e a pessoa falou: ‘Você ia fazer a protagonista, mas você não tem cara de virgem’. Virgem tem cara?”, narrou.

Samara também contou a Rafinha Bastos que era “natural” ser assediada naquela época, explicando que as mulheres acabavam aceitando esse tipo de comportamento por não terem muita escolha se quisessem seguir na profissão.

“É um pouquinho esse buraco que a gente vai se enfiando. É uma mão na sua coxa em um jantar, é um ‘vem cá conversar só eu e você'”, relembrou.

Por fim, a intérprete da personagem Érica Schmidt de Malhação falou ainda sobre a constante pressão para que as atrizes estejam com seus corpos da forma como a direção deseja, impondo padrões de beleza sufocantes.

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“Todo o papel eu tinha que estar dois quilos mais magra. E sempre fui magra. Já vem a pressão estética para a menina”, encerrou.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.