Cintura Fina: Matheus Nachtergaele revela que sua família temia que ele ficasse marcado como a “bicha da TV”

Minissérie, que conta a história de jovem rica que abandona o noivo no altar e se torna prostituta, reestreou nesta segunda na Globoplay

Exibida originalmente em 1998, a minissérie “Hilda Furacão” reestreou nesta segunda-feira (21) no serviço de streaming da Globo, o GloboPlay.

A trama conta a história de Hilda (Ana Paula Arósio), uma jovem da alta sociedade de Belo Horizonte que desiste de se casar no dia da cerimônia e vai viver na zona boêmia de Belo Horizonte.

Além da personagem central, a trama traz uma gama de personagens que povoam o imaginário popular: o jovem frei (Rodrigo Santoro) que se apaixona pela prostituta (Hilda), a travesti que lidera a malandragem (Cintura Fina, interpretada por Matheus Nachtergaele) e Maria Tomba Homem (Rosi Campo), a mulher boa de briga que enfia a mão nos machistas.

Em entrevista ao F5, o ator Matheus Nachtergaele revela que na época a sua família foi contra ele interpretar a personagem Cintura Fina.

Segundo o ator, eles temiam que ele ficasse marcado como o “ator bicha da TV”.

Porém se deu justamente o contrário e Cintura Fina foi um sucesso de público e, segundo o ator, entre jovens e crianças.

Dessa maneira, o ator também revelou que para encarnar a sua personagem viveu com as travestis e prostitutas de São Paulo.

“Isso tudo eu aprendi. Queria me inteirar da vida delas e vi que é preciso ser muito macho para ser travesti de rua.”

Cintura Fina na vida real

A minissérie é uma adaptação do livro de Roberto Drummond, mas Cintura Fina realmente existiu.

Matheus Nachtergaele revela que viajou para BH para encontrar a travesti que liderou a malandragem por muito tempo, mas ela tinha morrido um pouco antes.

“Meu trabalho se caracterizou no cinema, no teatro e na TV por personagens marginalizados, na zona de perigo. Depois do Cintura, fiz mais travestis e personagens que tinham tons de enfrentamento e de aceitação.”

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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