Leandra Leal, no Altas Horas: “Como a gente deixou Bolsonaro ser presidente?”

Para a atriz, não foi uma escolha difícil, porque Bolsonaro já destilava seu ódio e preconceito. "A gente não pode agora nas eleições do ano que vem, ficar desatento a isso"

A atriz Leandra Leal fez um discurso forte neste sábado (26) no programa Altas Horas, apresentado por Serginho Groisman, na Globo, contra o presidente Jair Bolsonaro. “Como a gente deixou Bolsonaro ser eleito presidente? Como? Ele já falava sobre preconceito, ele já destilava seu ódio. Ele já falava sobre homofobia, ele já espalhava fake news”, questionou Leandra.

Ela ainda lembrou do editorial do jornal O Estado de S. Paulo que dizia ser uma escolha difícil para o eleitor a disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad em 2018. Bolsonaro há quase 30 anos era deputado federal sem qualquer proposta relevante aprovada, inúmeras falas preconceituosas e apologista à ditadura, autor da “homenagem” ao Coronel Brilhante Ustra, torturador da ditadura, no seu voto no impeachment de Dilma Rousseff em 2016. Já Fernando Haddad tinha sido prefeito de São Paulo, professor universitário e ex-ministro da Educação, com diversos programas criados para ampliar o acesso à universidade, como o Prouni (Programa Universidade para Todos) que concede bolsas de estudos a alunos de baixa renda, entre outros.

“Não foi uma escolha difícil. Quem se permitiu achar que era uma escolha difícil relativizou o preconceito, relativizou a homofobia, relativizou o racismo, porque tudo isso estava na fala dele. O desprezo que ele tem com as pessoas agora, como ele imita uma pessoa faltando ar, ele já tinha isso no seu discurso, já tinha isso na sua prática”, afirmou Leandra.

Para a atriz, nas eleições do ano que vem, os brasileiros não podem cometer o mesmo erro. “A gente não pode agora nas eleições do ano que vem, ficar desatento a isso, achar que não, que é piada. Preconceito não é piada. É sério. A gente está passando por uma pandemia, mas tem inúmeras injustiças que a gente pode continuar passando no nosso país, e espero muito que essa seja uma lição desse momento. Todos nós precisamos votar com consciência, ouvindo, escutando o que a pessoa que está candidata aquele cargo está dizendo.”

O discurso de Leandra Leal repercutiu nas redes sociais. A jornalista Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel, assassinada pela ditadura militar , e irmã de Stuart, também vítima da ditadura, foi uma das pessoas que elogiou Leandra. “O discurso forte de Leandra Leal no Altas Horas. Atriz intensa, que representou lindamente, no filme ‘Zuzu Angel’, a minha cunhada, Sônia Angel, barbaramente torturada e assassinada por obra e desgraça de Brilhante Ustra, a grande admiração de Bolsonaro”, disse Hildegard.

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Dri Delorenzo

Jornalista, especializada em Meio Ambiente e Sociedade (FESPSP) e mestre em Comunicação Digital pela UFABC. É editora executiva da Revista Fórum.

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