Quilombo

por Dennis de Oliveira

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03 de junho de 2016, 14h24

A ilusão de ativistas negros em negociar com os golpistas

Ativistas negros dos partidos da base do governo reunem-se com ministro Mendonça Filho

Ativistas negros dos partidos da base do governo reunem-se com ministro Mendonça Filho

Na quinta feira, dia 2 de junho, militantes negros vinculados aos partidos que dão sustentação ao governo de Michel Temer reuniram-se com o ministro da Educação, Mendonça Filho, em Brasília. Na ocasião foi apresentada a nova gestora da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), Ivana de Siqueira.

Chamada de “Coalizão Negra”, o grupo apresentou as seguintes reivindicações: manter e ampliar a política de cotas nas universidades, fortalecer a lei nº 10.639, que promove o ensino da história e cultura afro-brasileira na educação básica, manutenção do ProUni e também a implantação de cotas raciais na seleção para os programas de pós-graduação.

Todas estas reivindicações são quase que unânimes no movimento negro.

A divergência é quanto as possibilidades delas serem implantadas em um governo cuja tônica tem sido fazer o ajuste fiscal, cortar custos e priorizar o atendimento do capital rentista.

O plano Temer – elaborado pelo seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – tem como centro proibir aumento de investimentos do governo de um ano para o outro acima da inflação.

Isto significa que, se em dado ano o governo experimentar um aumento de arrecadação (seja pelo aumento de impostos, que pode ser feita com a criação da CPMF; seja por um crescimento da economia), os investimentos em educação, por exemplo, só podem ser corrigidos pela inflação.

E este “ganho” real de arrecadação vai para onde? Para o pagamento dos juros da dívida pública. Para os especuladores do capital financeiro. Esta é a lógica do plano Temer.

Ora, num contexto assim, qual é a real possibilidade de se investir na formação de professores para a lei 10639/03 – que implicaria em mais custos? Cortando-se de outra alínea da educação? Mas qual seria?

O mesmo se aplica em ampliação do ProUni. De onde viria este dinheiro adicional necessário?

Este mesmo ministro que recebeu, com alarde, os ativistas negros dos partidos da base aliada, recebeu, também com pompa, o “grande conhecedor da educação” Alexandre Frota.

Aquele mesmo que fez apologia ao estupro na televisão. E que defendeu, logo após esta reunião, que se deve implantar o ensino religioso nas escolas. Além de um monte de outros absurdos, inclusive a própria extinção do ministério da Educação.

Num governo que foi alçado por meio de um golpe parlamentar, que tem no lastro uma elite que mostrou descaradamente que é contra a inclusão social e que tem como uma das principais bases de sustentação uma bancada de congressistas que se diz evangélica e que é contra que se fale das tradições religiosas de matriz africana e indígena nas escolas, não se vislumbra espaço para negociação.

Parece, assim, que a reunião no MEC foi só para tirar foto.


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