Recado para Hartung: paz sem voz não é paz, é medo

A prefeitura de Vitória em apoio ao governo do Espírito Santo resolveu apelar para uma “caminhada das famílias pela paz”. Chamar todos juntos pela paz. Isto depois de uma semana de caos no estado que vitimou quase 130 cidadãos, a maior parte deles da periferia. Um governo que reclama de contas apertadas e de crise […]

Governo capixaba e instituições que o apoiam convocam uma "caminhada pela paz"
Governo capixaba e instituições que o apoiam convocam uma “caminhada pela paz”

A prefeitura de Vitória em apoio ao governo do Espírito Santo resolveu apelar para uma “caminhada das famílias pela paz”. Chamar todos juntos pela paz. Isto depois de uma semana de caos no estado que vitimou quase 130 cidadãos, a maior parte deles da periferia.

Um governo que reclama de contas apertadas e de crise econômica mas que concede incentivos fiscais para várias empresas que, não por coincidência, apoiam a tal “caminhada pela paz” (basta olhar no cartaz de convocação as várias organizações empresariais que apoiam a iniciativa).

O orçamento do estado do Espírito Santo é de 17 bilhões de reais. O governo concedeu incentivos fiscais na ordem de 1 bilhão de reais. Além disto, o estado capixaba tem 3 bilhões de dívidas ativas para receber. Estes valores somados (4 bilhões) correspondem a quase um quarto do orçamento.

O governo do Espírito Santo contigenciou (deixou de gastar) deste orçamento quase 6 bilhões no ano passado. Os gastos com a folha de pagamento são da ordem de 43%, abaixo do exigido da direitista Lei de Responsabilidade Fiscal (que deveria se chamar lei da irresponsabilidade social) que é de 49%.

Portanto, margem para reajuste salarial há. O discurso da crise, da dificuldade é falácia.

O Espírito Santo é um laboratório do modelo de arrocho da máquina pública que a direita quer impor a toda a sociedade brasileira. Os resultados desta política que está se vendo agora pode ser um prenúncio do cenário brasileiro com a aprovação da absurda PEC do fim do mundo no ano passado.

Estado mínimo é uma declaração de guerra à população. Não há paz possível com esta gente no poder.

 

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Dennis de Oliveira

Jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

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