Quilombo

por Dennis de Oliveira

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15 de maio de 2016, 14h16

Um domingo na Oscar Freire

Hoje, dia 15 de maio, andei pela rua Oscar Freire, em São Paulo, por conta de um compromisso profissional. Como cheguei mais cedo para este compromisso, dei uma volta pelos arredores. Perto, uma feira. Barraca de pastel, caldo de cana, uma certa fome…

Lembrei-me que tempos atrás, em uma feira no bairro do Jardim das Nações em Diadema, uma rua em aclive, uma menina fritava pastéis em uma terrina cheia de gordura quente que ficava alinhada com um calço de tijolos. O calço caiu e toda aquela gordura quente caiu em cima da moça que berrava de dor. Não tinha uma viv’alma com crédito em celular para chamar uma ambulância. Nem o dono da barraca de pastel. Semana seguinte, fiquei sabendo que a menina tinha morrido no hospital. E que uma outra estava fritando pastel nas mesmas condições…

Ali na feira dos Jardins, a coisa era bem diferente. Barraquinhas bonitas, pessoal todo com uniforme branquinho. A máquina de fazer caldo de cana era acionada com botões, a fritadeira de pastel era bem firme. Feira cinco estrelas. No canto duas mulheres, muito distintas, peles alvíssimas, sentadas apreciando os seus pastéis. E ao lado, de pé, uma mulher, pele mais escura, de chinelo, segurava pela coleira cinco cachorros para que suas patroas pudessem tranquilamente degustar suas refeições sentadas.

A foto abaixo mostra isto (foram cortados os rostos para preservarem as privacidades)

Empregada cuida dos cachorros para que as patroas comam sossegadamente

Empregada cuida dos cachorros para que as patroas comam sossegadamente

Nada contra animais. E nem contra pessoas que os adoram e também gostam de comer pastéis. Mas que esta imagem é simbólica das relações servis que ainda prevalecem no Brasil, isto é. Outros exemplos vistos nesta região de elite de São Paulo poderiam ser citados, mas fico por aqui.

Daí dá para entender o ódio que gera na elite quando esta mesma empregada, que segura cachorrinhos para a patroa poder comer na feira, tem seu filho na universidade e que senta ao lado do filho desta patroa… Ou que, de repente, ambas se encontram no aeroporto para viajar…


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