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por Rodrigo Vianna

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17 de fevereiro de 2011, 17h14

A ficha caiu: o malocismo avança?

Acho que a ficha caiu quase ao mesmo tempo, pra muita gente. Os sinais vão aparecendo... Ontem, escrevi um texto, externando algumas preocupações com as primeiras medidas econômicas adotadas por Dilma. No mesmo dia, Altamiro Borges e Mair Pena Netto publicaram reflexões importantes, sobre o mesmo tema. Confira!

por Rodrigo Vianna

Acho que a ficha caiu quase ao mesmo tempo, pra muita gente. Os sinais vão aparecendo… Ontem, escrevi esse texto, externando algumas preocupações com as primeiras medidas econômicas adotadas por Dilma. No mesmo dia, Altamiro Borges e Mair Pena Netto publicaram reflexões importantes, sobre o mesmo tema.

Mair, no “Direto da Redação”, falou sobre a tentativa da velha mídia, ou “imprensa de mercado” (como ele bem define), de criar uma cunha entre o “populista” Lula e a “técnica” Dilma. O artigo de Mair chama-se “Do poste à governante encantadora“, e merece ser lido com atenção.

Trata-se – e aí sou eu que digo, não o Mair – de uma tentativa inteligente por parte da velha mídia, para sangrar os dois – Dilma e Lula. Bate-se primeiro em Lula, usando a ex-ministra dele como exemplo de boa conduta. Lula já não tem a máquina da presidência para responder. Depois, quando (mas aí falta combinar com os russos!) Lula tiver sua imagem enfraquecida, aí parte-se para o ataque contra Dilma. A estratégia, claramente, é essa.

O problema é que o povão não lê jornal, nem se importa com o que diz essa velha mídia. Vai ser difícil “desconstruir” Lula. Andei agora pelo Nordeste, e testemunhei a ligação visceral entre o povo mais simples e o legado de Lula. Para o bem e para o mal (e o mal, nesse caso, é a despolitização). Entrevistei uma senhora que acabara de receber uma casa, por conta do projeto de transposição do rio São Francisco. A fazenda onde ela vivia como meeira (morava na fazenda numa casa que não era dela, mas do dono da terra) foi desapropriada para as obras. O governo construiu uma agro-vila para reassentar os antigos meeiros. Todos ganharam casa própria. A senhora me disse: “agradeço a Deus por minha casa; quer dizer, agradeço a Lula também; pra mim, é Deus no céu e Lula na terra”.

Mas a velha mídia não sossega. Se não pode derrubar Lula, vai tentar seduzir Dilma. A presidenta não vai entrar nessa – certo? Seria uma ingenuidade sem tamanho. E Dilma não é propriamente uma mulher  ingênuna.

Mas, com Palocci como conselheiro, tudo é possível.

E aí chegamos ao texto de Altamiro Borges, também publicado nessa quarta-feira. Ele fala sobre o avanço do “malocismo” (mistura de Malanismo com Paloccismo) na gestão da economia. Aqui, um trecho:

“Na prática, as decisões recentes do governo parecem indicar um triste regresso ao “malocismo” – uma mistura de Pedro Malan, czar da economia no reinado de FHC, e Antonio Palocci, czar da economia no primeiro mandato de Lula. Os seus efeitos poderão ser dramáticos, inclusive para a popularidade da presidenta Dilma. De imediato, as medidas de elevação dos juros e redução dos investimentos representam um freio no crescimento da economia e, conseqüentemente, na geração de emprego e renda.”

Como eu disse em texto anterior, 50 dias de governo é um prazo curto demais pra qualquer conclusão apressada. Mas há sinais preocupantes no ar. Isso há!

Como todo governo, esse também será um governo em disputa. Pode caminhar alguns graus para o centro, em relação ao que foi o segundo mandato de Lula. Mas isso tudo pode ser também apenas um ajuste inicial, para depois acelerar rumo à distribuição de renda e redução da pobreza.

Veremos.

Por hora, eu diria que o “malocismo” está ganhando a parada, como diz o Miro. Para alegria da” imprensa de mercado”, como diz o Mair


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