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por Rodrigo Vianna

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01 de março de 2011, 12h46

A relação entre Lula e o setor empresarial

“Em última instância, enquanto Lula não é, e nunca será, o favorito da comunidade empresarial, ele não é mais visto como uma ameaça à estabilidade econômica.” A frase resume as discussões que ocorriam ao final do primeiro mandato de Lula e na véspera das eleições e que agora são reveladas pelo Wikileaks, a partir de um telegrama do Consulado americano de São Paulo, datado de março de 2006 e assinado pelo cônsul McMullen.

por Juliana Sada

“Em última instância, enquanto Lula não é, e nunca será, o favorito da comunidade empresarial, ele não é mais visto como uma ameaça à estabilidade econômica.” A frase resume as discussões que ocorriam ao final do primeiro mandato de Lula e na véspera das eleições e que agora são reveladas pelo Wikileaks, a partir de um telegrama do Consulado americano de São Paulo, datado de março de 2006 e assinado pelo cônsul McMullen.

O documento aponta que os empresários estavam satisfeitos com a política econômica aplicada por Antonio Palocci, quando Ministro da Fazenda, e acreditavam que se Lula fosse reeleito, não haveria mudanças na área. Mesmo assim, “ele ainda deixa os empresários nervosos”. De acordo com a correspondência diplomática, “o governo Lula dirigiu mais recursos para programas sociais enquanto retém fundos para investimentos. A comunidade empresarial gostaria de ver essas prioridades invertidas”.

Empresariado progressista
Ainda assim, o presidente teria aliados no setor, “embora não muitos”. Como Armando Monteiro Neto, então presidente da Confederação Nacional das Indústrias e deputado federal pelo PTB, que possui uma empresa produtora de açúcar e seria “extremamente dependente dos empréstimos e benefícios governamentais”. Outros apoiadores seriam Antoninho Marmo Trevisan, da Trevisan Auditores e Consultores; Oded Grajew, fundador da fábrica de brinquedos Troll; e Laurence Phi, proprietário de uma empresa processadora de trigo.

“Todos esses são empresários progressistas fortemente conectados às causas sociais”, afirma o documento. “Eles acreditam que o Brasil é um país deficiente de justiça social e que Lula irá mudar isso”.

Já o vice-presidente José Alencar – dono da Coteminas, grande empresa do setor têxtil – teria entrado na aliança “mais por oportunismo político do que por comprometimento com a agenda social de Lula”.

Os bancos também são apontados como apoiadores do Lula e teriam contribuído “generosamente” com o PT. O documento ressalta que “dados recentemente divulgados mostram que os bancos tiveram lucros recordes”.

Pontos críticos
De acordo com o telegrama, o setor empresarial discorda da importância dada pelo governo aos movimentos sociais e critica a proximidade do Brasil com a Venezuela, Cuba e outros governos progressista da América do Sul e também a política externa brasileira, vista como motivada “mais por ideologia do que por interesses econômicos e comerciais”.

Entre os desfechos possíveis para a eleição, o documento aponta um considerado o “mais perigoso”. Nesta opção, Lula seria eleito mas com uma base frágil no Congresso e sem uma forte aliança política, o que dificultaria a governabilidade. A saída encontrada para o impasse seria apelar aos movimentos sociais por apoio e utilizar uma retórica esquerdista e medidas populistas.

Ceticismo
Ainda com todas as ressalvas feitas ao governo Lula, os empresário não estariam completamente seguros que os tucanos fossem atender as suas demandas. Como revela o trecho abaixo:

Embora exista um consenso na comunidade de negócios que o próximo governo tem que enfrentar difíceis problemas de longa data – como a reforma tributária, trabalhista e  regulatória – há pouca  confiança de que qualquer novo governo (PT ou PSDB) terá a vontade política e a influência para fazer com que a legislação necessária seja aprovada.


Curiosidade
O mesmo telegrama aborda rapidamente a relação dos empresários com o PSDB, que no momento ainda não tinha definido quem seria o candidato da legenda. Alckmin é apontado como amplamente apoiado pelos empresários paulistas, ainda que não fosse conhecido nacionalmente. Já Serra teria criado antipatia em setores empresariais quando era Ministro da Saúde, sobretudo com a indústria farmacêutica, devido à política de medicamentos genéricos, e com a de tabaco. “Na área de economia”, afirma o telegrama, “Serra parece ser mais à esquerda do que Alckmin – ainda mais do que Lula, dizem seus oponentes”.


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