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por Rodrigo Vianna

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01 de agosto de 2014, 12h54

Operação da CBF, Globo e clubes enterra mudanças no futebol

Acabaram mais rápido do que surgiram as parcas esperanças que alguns tinham de o futebol brasileiro passar por algum tipo de reformulação. Bastaram 20 dias após o humilhante 7 a 1 para a CBF, os clubes e a TV Globo deixarem tudo como está.

Por José Antonio Lima, no blog Esporte Fino

Acabaram mais rápido do que surgiram as parcas esperanças que alguns tinham de o futebol brasileiro passar por algum tipo de reformulação. Bastaram 20 dias após o humilhante 7 a 1 para a CBF, os clubes e a TV Globo, emissora que detém os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, se mobilizarem (ou se esconderem) para deixar tudo como está: razoável para essas entidades, mas péssimo para torcedores, jogadores, árbitros e jornalistas.

A CBF agiu rápido e não deixou dúvidas sobre seu desprezo a respeito de todas as críticas feitas à seleção. Contratou Dunga, o homem que não convocou Paulo Henrique Ganso e Neymar em 2010, para comandar um projeto cujo objetivo anunciado é dar espaço para os jovens jogadores. Maior contra-senso, impossível.

No futebol de clubes, a incompetência provoca agonia. “Por erro da CBF, STJD tira título do Brasília“, diz a manchete da ESPN Brasil, que com simplicidade dá um tapa na cara do torcedor. É chocante, mas o sistema de registro da CBF continua não funcionando, mesmo depois do imbróglio envolvendo Portuguesa e Fluminense no ano passado. Estamos tão acostumados que não conseguimos mais nos surpreender em ver o STJD, que é um braço da CBF, mudar um resultado baseado em um erro da burocracia da própria confederação. Vamos nos surpreender, no entanto, se o mesmo critério for utilizado para punir o Botafogo, um clube do Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o metrô está a serviço da TV Globo, em detrimento do torcedor. Nenhuma manchete levou este título, mas os fatos são cristalinos. Há anos o futebol brasileiro amarga o horário das 22h (que já foi 21h45), inexistente em países como Inglaterra, Alemanha, França e Itália, por conta da programação global. Os transtornos ocorridos no Itaquerão não foram nenhuma novidade, mas mobilizaram a diretoria do Corinthians.

Como não há federação ou liga para proteger o interesse dos clubes e dos torcedores, o de jogar em um horário civilizado, o time alvinegro não procurou a Globo. Buscou o governo do Estado, que aceitou estender o funcionamento do metrô. Quem resumiu a história foi o corintiano que fez uma petição pública ao metrô. “Acho que não é o horário ideal. Mas a Globo paga (e muito) para os clubes, então, acho que esse é o lado mais difícil de mudar.” A emissora, dona do futebol brasileiro, segue impávida.

No front que parecia mais promissor, a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, os clubes procuram não deixar espaço para reformas. Estão tratando de esvaziar a LRFE e, como afirmou o Bom Senso F.C., ocultar sob a bandeira da reforma a transformação da legislação em mais um simples refinanciamento de suas dívidas, que provavelmente não serão pagas, como nunca foram.

Os donos do status quo não darão sossego ao futebol brasileiro. Eles precisam que o produto continue respirando por aparelhos para seguir sob seu domínio. A nós resta a resignação.


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