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por Rodrigo Vianna

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12 de agosto de 2014, 11h36

Aécio fica na defensiva em entrevista ao JN. Ele vai aguentar a campanha?

Durante quinze minutos, o ex-governador de Minas Gerais foi questionado na Rede Globo sobre posições contraditórias nos campos da corrupção e da eficiência na administração pública, temas que considera prioritários para se diferenciar do PT.

Da Rede Brasil Atual

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, abriu hoje (11) a série de entrevistas promovida pelo Jornal Nacional com o mesmo tom que o tem guiado nas primeiras semanas de campanha, evitando posições claras sobre temas espinhosos e com ataques ao governo de Dilma Rousseff (PT) principalmente no campo econômico.

Durante quinze minutos, o ex-governador de Minas Gerais foi questionado na Rede Globo sobre posições contraditórias nos campos da corrupção e da eficiência na administração pública, temas que considera prioritários para se diferenciar do PT. A primeira questão sobre a qual não se posicionou claramente foi a respeito do corte de gastos públicos e do reajuste de tarifas de serviços básicos. “Tenho dito que vou tomar as medidas necessárias para que o Brasil retome um ritmo de crescimento minimamente adequado”, disse o tucano, evitando o “medidas impopulares” utilizado no começo da campanha para se referir à necessidade de mudanças na política econômica que poderiam levar a reflexos negativos sobre a população, como o aumento do desemprego.

Nas últimas semanas ele tem preferido falar na necessidade de dar eficiência ao Estado, considerado excessivamente grande e lento, e no corte no número de ministérios e nos cargos públicos comissionados. Questionado pelo apresentador William Bonner sobre uma posição mais clara, Aécio novamente evitou se comprometer. “Vamos tomar as medidas necessárias. É óbvio que vamos ter de viver um processo de realinhamento desses preços. Como e quando? Vou dizer quando tiver nas mãos os dados necessários para isso.”

O modo de governar voltou a ser o tema central da parte final da entrevista, quando o candidato foi confrontado com dados de sua administração em Minas Gerais que evidenciam problemas de administração – nas últimas duas décadas, em apenas quatro anos o estado não foi governado pelo PSDB. Primeiro, Aécio relativizou os números que mostram que o Índice de Desenvolvimento Humano mineiro é o mais baixo do Sudeste e o 9º colocado no Brasil, avaliando que há regiões que sofrem de déficit histórico nesta seara.

Depois, Bonner informou que os investimentos em saúde em Minas foram guiados pela União e por municípios, e não pelo governo estadual, e questionou se o tucano não considera este um tema prioritário. “O que fizemos em Minas é transformador. Qualquer especialista nessa matéria reconhece isso. Saúde é prioridade para qualquer governo responsável”, afirmou Aécio.

Ao ser perguntado sobre por que os brasileiros poderiam querer mudar de presidente, se o PSDB se compromete com a manutenção dos principais programas sociais do governo Dilma, Aécio voltou a lançar mão do apanhado de ideias que tem utilizado para se referir ao que considera um panorama do país neste momento. “Todos perceberam de forma muito clara que o Brasil deixou de crescer, que os empregos de qualidade estão deixando de acontecer. A grande verdade é que administrar é transformar para melhor as boas experiências.”

Corrupção

A corrupção foi o campo mais espinhoso para Aécio durante a conversa no telejornal de maior audiência do país. A primeira pergunta a este respeito foi sobre dois dos casos de corrupção mais famosos em que os tucanos se envolveram nos últimos anos: o mensalão tucano em Minas e o esquema de propina e conluio no sistema de trens em São Paulo.

Apesar da comparação feita pela apresentadora Patrícia Poeta entre estes casos e a Ação Penal 470, o mensalão do PT, o tucano afirmou haver uma diferença “enorme” entre as duas siglas no que se refere à moralidade. “No caso do PT houve uma condenação por parte da mais alta Corte brasileira. Estão presos líderes do partido por denúncias de corrupção”, avaliou. “No caso do PSDB, se alguém for condenado não será, como foi no PT, tratado como herói nacional, porque isso deseduca.”

Aécio foi em seguida confrontado com a informação de que o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo não foi punido pelo PSDB, apesar do envolvimento com o mensalão em Minas. Azeredo renunciou ao mandato de deputado depois que o Ministério Público Federal o denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) como participante do esquema de desvio de recursos públicos em 1998 para financiar a campanha à reeleição ao governo estadual. Ao ser recordado de que Azeredo faz parte de seu palanque, Aécio preferiu renegá-lo: “Ele está me apoiando. Não é o inverso. É um membro do partido que tem a oportunidade de se defender na Justiça. Mas eu não prejulgo.”

A entrevista abordou ainda a construção de um aeroporto em uma área pertencente à família de Aécio em Minas Gerais com recursos do governo estadual. A pista, de R$ 13,9 milhões, foi construída a seis quilômetros de uma outra fazenda de propriedade da família Neves. O candidato do PSDB reiterou ao Jornal Nacional que seu tio-avô Múcio Guimarães Tolentino é vítima, e não beneficiado, porque não teria recebido o dinheiro relativo à expropriação da área. “Neste caso, se houve algum prejudicado foi esse meu tio-avô. Ele reivindica 9 milhões e não recebeu nenhum real até hoje. Foi feito de forma transparente, absolutamente republicana.”

Aécio afirmou ainda que este aeroporto é importante para o desenvolvimento da cidade, localizada a 150 quilômetros de Belo Horizonte, e não restou importância à informação de que utilizou a pista, até hoje fechada, para voos privados. “Essa fazenda a que você se refere é uma fazenda que está na minha família há 150 anos. Valorizado ou não, é um sítio em que minha família vai nas férias. Nunca, na minha vida inteira, fiz nada que não pudesse me defender de cabeça erguida.”


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