escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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09 de outubro de 2012, 11h03

Afinal, as pesquisas acertaram?

Durante os últimos meses, e especialmente em São Paulo, surgiram muitos questionamentos sobre a confiabilidade de algumas pesquisas eleitorais. Este Escrevinhador realizou um pequeno levantamento com os números. E você, internauta, tem informações sobre as pesquisas? Onde houve mais erros?

por Juliana Sada e Rodrigo Vianna

Durante os últimos meses, e especialmente em São Paulo, surgiram muitos questionamentos sobre a autenticidade de algumas pesquisas eleitorais que vinham sendo divulgadas. Muitos viam com estranheza as discrepâncias entre os diferentes levantamentos. Essa estranheza motivou inclusive, por parte do Movimento dos Sem Mídia (MSM), um pedido de investigação à Polícia Federal. E você, internauta, tem informações sobre as pesquisas? O que acha? Onde houve mais erros?

Os questionamentos são muitos e difíceis de serem investigados, mas este Escrevinhador realizou um simples levantamento para analisar o acerto das pesquisas divulgadas. Reunimos os resultados das eleições nas capitais e comparamos com as pesquisas realizadas pelo Ibope e pelo Datafolha a partir da metade da última semana (sendo que o Datafolha só realizou levantamentos em sete cidades – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba e Porto Alegre).

A diferença mais gritante foi em Porto Alegre, a pesquisa realizada pelo Ibope previa que o candidato José Fortunati, do PDT, teria 50% dos votos quando na realidade teve 65,22%, já no levantamento do Datafolha, ele aparecia com 61%. Em ambas pesquisas, Manuela D’Ávila, do PCdoB, apareceu com mais votos do que realmente teve.

Outra surpresa deste domingo à noite foi em Curitiba. Levantamentos divulgados no sábado apontavam para um segundo turno entre o líder das pesquisas Ratinho Jr (PSC) e Luciano Ducci (PSB), o atual prefeito. Entretanto, Gustavo Fruet (PDT) conseguiu 27% dos votos (quando era esperado entre 19%-Ibope e 23%-Datafolha), e ultrapassou Ducci. Anote-se que o DataFolha registrou, sim, que no limite da margem de erro Fruet teria alguma chance de pasar ao segundo turno.

No Rio de Janeiro, onde já era esperada uma vitória com larga vantagem de Eduardo Paes (PMDB), o Ibope apontou sete pontos percentuais a menos para Paes e cinco pontos a menos para Marcelo Freixo (PSOL). Já o Datafolha oscilou próximo à margem de erro, com dois pontos a mais para Paes e três a menos para Freixo. O resultado oficial foi 64,6% dos votos para o atual prefeito e 28,15% para Freixo.

Na acirrada disputa do Recife, as pesquisas apontavam para um possível segundo turno; entretanto, Geraldo Júlio (PSB) conseguiu 51,15% dos votos. O Datafolha estipulava que ele teria 46% e o Ibope, 47%. O segundo colocado, Daniel Coelho (PSDB), teve 27, 65% dos votos enquanto o Ibope previa apenas 21%.

Em São Paulo, onde três candidatos chegaram à última semana tecnicamente empatados, as pesquisas convergiam e se equivocaram. Para o Ibope, Haddad (PT), Serra (PSDB) e Russomano (PRB) possuíam 26% dos votos, cada um. Já o Datafolha mostrava Serra em primeiro (28%), seguido de Russomano (27%) e, por último, Haddad (24%). As urnas mostraram um outro panorama: Serra ficou com 30,75% dos votos; Haddad com 28,98%; e Russomano, fora do segundo turno, com 21,6%. Em ambas pesquisas, algumas das diferenças extrapolaram a margem de erro estipulada.

Fortaleza e Belo Horizonte foram as únicas capitais, entre as sondadas pelos dois institutos, em que a diferença entre as pesquisas e as urnas foi bem pequena, não ultrapassando três por cento. Nas outras capitais, em que analisamos apenas os números do Ibope, há discrepâncias em vários casos.  Nas cidades de Rio Branco, Boa Vista, Manaus, Vitória, Campo Grande, João Pessoa e Teresina, houve diferenças entre 10 e 12 pontos percentuais. Em São Luis, a diferença foi de 9 pontos. E em Florianópolis e Cuiabá, de 7 pontos.

As diferenças levantadas neste artigo não provam por si só algum possível enviesamento das pesquisas, já que a própria dinâmica política pode proporcionar mudanças bruscas nas intenções de voto. Por outro lado, a coincidência entre o resultado da votação e os números das pesquisas tampouco garante a lisura das pesquisas, já que apontamos apenas os números das últimas pesquisas. Esse confronto entre os dados é saudável para avaliarmos o grau de acerto de cada instituto de pesquisa.

Aparentemente, o DataFolha errou menos que o Ibope. Com a notável exceção de São Paulo, onde o instituto – ligado ao jornal conservador “Folha de S. Paulo”, notoriamente próximo do tucanato – mostrou Haddad (na véspera da eleição) em terceiro lugar, sete pontos abaixo do que realmente conquistaria.

Haddad teria conseguido uma arrancada espetacular em 24 horas? Ou a “Folha” estava torcendo para Russomano, enfraquecido, ir ao segundo turno com Serra? São perguntas que muitos internautas fazem a essa altura.

Apesar da estranheza, não há – por hora – fatos concretos para apontar manipulação nas pesquisas – seja do DataFolha ou Ibope. Mas seria importante que a Polícia Federal entrasse no assunto. As pesquisas são um instrumento importante para o eleitor: todos nós conhecemos gente que ia votar em Russomano ou Chalita e – por causa das pesquisas – na última hora mudou o voto. Importante ficar de olho.


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