escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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15 de abril de 2015, 10h04

Ativistas do movimento hip hop classificam atos contra Dilma de proto-fascista

Manifesto: O Hip Hop está aí para questionar essa ordem! Não estamos junto de pessoas que por introjetar o medo construído pelos discursos midiáticos tornam-se a favor da militarização.

Do Portal Bocada Forte

Recentemente temos observado posicionamentos favoráveis de integrantes da cultura Hip Hop ao movimento “Vem pra Rua”, apoiando e incentivando a adesão a este movimento que teve certa repercussão a partir de passeatas realizadas em diversas cidades do Brasil no dia 15 de Março de 2015.

Este movimento liberal e proto-fascista tem como pautas o Impeachment da presidente Dilma, a redução da maioridade penal, a terceirização dos serviços, intervenção militar, a criminalização de movimentos populares combativos, a mercantilização da vida, dentre muitas outras pautas de cunho absolutamente antidemocrático e antipopular. Por isso, entendemos que o discurso da “liberdade de expressão” utilizado por muitos MCs e demais agentes da cultura ao mesmo tempo em que tentam se esquivar de responsabilidades diretas sobre os fatos em última instância faz jus às políticas empreendidas por setores empresariais, bancada evangélica, forças armadas e demais segmentos antidemocráticos.

Devemos ressaltar que a cultura Hip Hop ao apoiar este âmbito de disputas políticas fortalece setores que historicamente lutaram e lutam contra os fundamentos da cultura de rua como a luta pela democracia direta, a luta contra o genocídio negro, a luta contra o patriarcado e as lutas a favor das liberdades coletivas e individuais. Outro fator que devemos ressaltar é a intensa luta entre classes antagônicas que se tornou ainda mais evidente a partir de grandes movimentações populares nas Jornadas de Junho de 2013, quando vimos de perto a ação truculenta do Estado contra a população que exigia direitos constantemente tragados pelo grande capital financeiro e pelo Estado democrático de direitos, que se manifesta na prática como Estado de exceção.

Essa luta colocou em crise inclusive a representatividade de partidos de esquerda burocráticos que desde seus lugares fortalecem direta ou indiretamente as políticas de Estado, não se diferenciando na prática de setores conservadores de direita. Por isso, queremos ressaltar que o movimento Hip Hop deve ser livre e para tal deve reaver a luta contra diversas formas de opressão praticadas historicamente pela estrutura do capital e suas formas de poder. A gente quer ir pra rua, mas não vamos para a rua junto com os militares, não vamos para a rua junto com as armas do Estado. Quem organiza Rodas de Rima, quem circula favelas, quem circula os meios e os espaços onde tá o Hip Hop sabe que a polícia não é amiga do Hip Hop.

O Hip Hop está aí para questionar essa ordem! Não estamos junto de pessoas que por introjetar o medo construído pelos discursos midiáticos burgueses tornam-se a favor da militarização dos espaços públicos cerceando ainda mais as manifestações culturais da juventude e demais setores populares. Dessa forma, convidamos todos que compõem a cultura Hip Hop a pensar criticamente a conjuntura política atual de forma a nos associar em organizações que se contraponha e efetive na prática ações antagônicas ao conservadorismo burguês.

Assinam este manifesto:
Carta na Manga (Rio de Janeiro);

Dumatu (João Pessoa);

Menestréis MCs (João Pessoa);

Arthur Moura – 202 filmes (Niterói – RJ);

Antiéticos (Rio de Janeiro);

Paulo Napoli (Fortaleza);

Totoin Antonio Carlos (Minas Gerais);

Djoser Botelho Braz (Rio de Janeiro);

DJ Erik Scratch (Rio de Janeiro);

Marco Monte Cafus (Fusca) (Rio de Janeiro);

DJ Machintal (Niterói – RJ);

GoriBeatzz (Rio de Janeiro);

Alvaro Neto (Niterói – RJ);

Dropê Comando Selva (Rio de Janeiro);

MV Hemp (Rio de Janeiro);

DJ Kong (Rio de Janeiro);

André Tertuliano (Rio de Janeiro);

Gerard Miranda e Coletivo CIC (João Pessoa);

Gustavo Pontual (Recife);

Elton Kurtis (São Paulo);

Roberto Camargos (Uberlândia);

Issa Paz (São Paulo);

Rôssi Alves (Rio de Janeiro);

Comunidade Rap Feminino; NJ Sallez (Rio de Janeiro);

Lepô Comando Selva; Rico Comando Selva (Rio de Janeiro);

Emilio Domingos (Rio de Janeiro);

Marcos Favela (Mogi das Cruzes – SP);

Fábio Emecê (Rio de Janeiro);

Aline Pereira – Roda Cultural do Engenho do Mato (Niterói- RJ);

Davi Baltar (Niterói – RJ);

Camila Rocha (João Pessoa);

A-Lex Remanescente emcee

Coletivo CGZOO;

Projeto Bínário;

Nação HipHop Brasil célula/PB;

MC Slow (Rio de Janeiro);

Gabriel Kopke Gael (Rio de Janeiro);

Beição ejc (Rio de Janeiro);

Wallace Carvalho Fluxo/Planodois (Rio de Janeiro);

Jair DJ Cortecertu Bocada Forte (São Paulo);

Diego Noise D Bocada Forte (Porto Alegre/Florianópolis).


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