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por Rodrigo Vianna

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15 de julho de 2014, 19h44

Brics criam BNDES internacional. Portais destacam presidência da Índia…

Os chefes de Estado dos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) aprovaram nesta terça-feira (15/07) a criação de um Banco de Desenvolvimento exclusivo do bloco, além de um fundo emergencial de US$ 100 bilhões de ajuda mútua para situações de crise financeira.

Por Patrícia Dichtchekenian e Sandro Fernandes, no Opera Mundi

Os chefes de Estado dos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) aprovaram nesta terça-feira (15/07) a criação de um Banco de Desenvolvimento exclusivo do bloco, além de um fundo emergencial de US$ 100 bilhões de ajuda mútua para situações de crise financeira. Os órgãos irão financiar projetos de infraestrutura e de desenvolvimento para as cinco economias emergentes que somam um quinto do PIB global e 40% da população mundial.

“O banco representa uma alternativa para as necessidades de financiamento para os países em desenvolvimento, compensando a insuficiência de crédito das principais instituições financeiras internacionais”, declarou a presidente Dilma Rousseff em sessão plenária após a reunião com os líderes Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Jacob Zuma (África do Sul) e Narenda Modi (Índia). Segundo Dilma, com a criação da instituição, as cinco grandes economias emergentes “avançam em direção a uma nova arquitetura financeira mundial”.

Como funcionará o banco

A primeira presidência rotativa do banco ficará sob responsabilidade da Índia; o Brasil cedeu à aspiração de assumir o primeiro mandato de cinco anos, embora Dilma Rousseff tenha dito, posteriormente, que foi a Índia quem propôs inicialmente a criação do banco e, por isso, ficou naturalmente com a primeira presidência rotativa. Além disso, a sede da instituição financeira será na cidade chinesa de Xangai e o primeiro escritório regional será localizado na África do Sul — o Brasil chefiará a primeira equipe de diretores e a Rússia, a primeira equipe de governadores.

“Será uma espécie de rede de proteção aos países do Brics”, acrescentou Dilma. Em contraposição às políticas econômicas europeias e norte-americanas, a presidente brasileira ainda disse que as novas instituições financeiras do bloco “beneficiarão os países emergentes e os em desenvolvimento”. Após a assinatura do acordo para sua constituição, o Banco do Brics terá que ser aprovado pelos parlamentos dos cinco países. A princípio, o banco terá um capital de US$ 50 bilhões, totalizado pelo investimento inicial de US$ 10 bi de cada membro do bloco.

Putin, Modi, Rousseff, Jinping e Zuma: cinco membros do Brics irão a Brasília amanhã continuar reunião também com líderes da Unasul

 

Na mesma linha, Putin discursou após Dilma e reforçou o peso do bloco nos problemas mundiais. “Tomaremos toda a experiência acumulada e faremos tudo o que for necessário para aumentar a presença dos Brics nos problemas mundiais”, afirmou.

O chefe do Kremlin ainda disse que esta instituição “será um meio muito poderoso para prevenir novas dificuldades econômicas e estabelecer os fundamentos para grandes mudanças econômicas” e também propôs a criação de uma “universidade dos Brics”, que funcionaria por meio da da internet.

O novo banco contemplará o câmbio direto de moedas entre os cinco membros do bloco para “baratear os custos de transação”, segundo o presidente rotativo da associação empresarial Brics Business Council, Rubens de La Rosa. “A ideia é que se tenho que fazer uma remessa a Índia não tenho que converter (os reais) a dólares e depois a rúpias”, explicou à Efe.

Fundo emergencial

Além da criação do Banco de Desenvolvimento, os Brics também acertaram o lançamento de um fundo de reservas de ajuda mútua em situações emergenciais de crise financeira. Dos US$ 100 bilhões previstos inicialmente, o Brasil participará com US$ 18 bilhões.

Detentora da maior reserva cambial do mundo, a China será a principal financiadora do fundo de socorro, contribuindo com U$ 41 bilhões do total, enquanto Rússia e Índia entrarão com US$ 18 bilhões cada um e a África do Sul, com US$ 5 bi. A nova instituição deve começar a operar até 2016.

Na semana passada, o vice-ministro chinês das Relações Exteriores, Li Baodong, declarou que o “momento é propício” para a criação do novo banco, que será um “marco no atual sistema monetário internacional, dominado pelos Estados Unidos e pela Europa”, de acordo com a BBC Brasil.

Apesar de não fazer parte do Brics, a Argentina comemorou a proposta de criação de um banco próprio do bloco. “Necessitamos de bancos de desenvolvimento que se erijam como ferramentas para o financiamento de obras de infraestrutura”, para “aumentar competitividade”, “não bancos de desenvolvimento como ferramenta extorsiva dos países mais desenvolvidos”, comentou o chefe de gabinete do governo da Argentina, Jorge Capitanich, nesta terça, segundo a Efe.

A criação dos dois órgãos financeiros representa um desafio ao controle do Ocidente sobre as finanças globais, moldado na reunião de Bretton Woods em 1944 na qual nasceram o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

Primeiro dia da Cúpula

Com o tema “Crescimento Inclusivo e Soluções sustentáveis”, a 6ª Cúpula dos Brics de Fortaleza apresentou na segunda-feira (15/07) ao longo do seu primeiro dia grupos de trabalho do Conselho Empresarial dos Brics que discutiram os desafios da sustentabilidade, as perspectivas de integração, além de comércio e investimento. Com um público formado quase na sua totalidade por empresários e um grupo de jornalistas muito inferior ao esperado, a abertura da Cúpula se revezou entre otimismo e necessidade de fortalecer as cooperações.

Efe

Putin, Modi, Rousseff, Jinping e Zuma: criação dos dois órgãos representa desafio ao controle do Ocidente sobre finanças globais

O presidente da delegação chinesa no bloco, Ma Zehua, lembrou a importância de que “não deixemos que barreiras e obstáculos nos deixem cego”, destacando que os negócios entre os países do grupo dos emergentes devem aumentar.

A utilização do dólar como moeda de transação também foi citada como um problema a ser superado, devido aos custos deste tipo de operação e ao tempo perdido. “Se encontrarmos um preço equivalente para um produto, para que converter (a moeda)?”, questionou Rubens de la Ros. Segundo ele, simplificar o processo “tornaria as coisas mais comerciáveis”.

A burocracia brasileira foi criticada durante o fórum empresarial. Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), mencionou “constragimento” com a bucracia local. “É preciso facilitar a entrada de negócios”, declarou.

Após o encontro em Fortaleza, os cinco líderes dos Brics se continuarão a reunião em Brasília, onde se reunirão com os chefes de Estado e do governo dos países da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).


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