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por Rodrigo Vianna

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10 de abril de 2014, 10h16

Centrais reúnem 40 mil pessoas por redução da jornada e agenda sindical

O trajeto total era de aproximadamente quatro quilômetros. Organizada por seis centrais – CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT – e movimentos sociais, a passeata reuniu pessoas de diferentes regiões e categorias, como bancários, metalúrgicos, trabalhadores da construção civil.

Por Viviane Claudino, da RBA

Depois de avaliar positivamente a marcha realizada da manhã até o início da tarde de hoje (9) em São Paulo, as centrais sindicais aguardam respostas do Executivo e Legislativo para a chamada agenda sindical. Os dirigentes também ressaltaram a união entre as entidades, em um momento pré-eleitoral.  Segundo os organizadores, aproximadamente 40 mil pessoas participaram da manifestação.

As estimativas variavam – a PM chegou a falar em 6 mil a 10 mil pessoas –, mas a certa altura da manifestação era possível perceber que, enquanto parte dos participantes já havia chegado na avenida Paulista, destino final da marcha, a Avenida Brigadeiro Luís Antônio estava tomada e ainda havia trabalhadores saindo do ponto de partida, a Praça da Sé, no centro.

O trajeto total era de aproximadamente quatro quilômetros. Organizada por seis centrais – CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT – e movimentos sociais, a passeata reuniu pessoas de diferentes regiões e categorias, como bancários, metalúrgicos, trabalhadores da construção civil, químicos, professores, profissionais da saúde, servidores públicos, além de movimentos dos sem-terra e sem-teto.

As centrais fizeram críticas à cobertura dada pela imprensa às atividades dos sindicatos. “Há uma tentativa, por parte da mídia nacional, de desconstrução da importância que o movimento sindical tem para o nosso país. E o que mostramos hoje, com a marcha, é exatamente o contrário”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas.

A marcha transcorreu de forma pacífica. Os sindicalistas aguardam agora uma data para a entrega do documento à presidenta Dilma Rousseff. “O que nós vimos hoje foi uma mistura de cores e ideologias, das diferentes centrais, que demonstrou a unidade da classe trabalhadora no Brasil e sua capacidade de enfrentamento”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

“Esse ato é destaque para o conjunto de atividades que as centrais vêm desenvolvendo ao longo dos anos. O Lula nos deixou várias marcas sociais positivas, mas a Dilma ainda está distante do movimento sindical. Com força, vamos sensibilizar a presidenta a atender às reivindicações”, acrescentou o presidente da UGT, Ricardo Patah.

A pauta trabalhista foi aprovada, originalmente, em 2010, durante encontro no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Foi entregue aos então candidatos à Presidência da República. Mas pouco avançou até agora, segundo avaliação das centrais, que também reclamam de menor proximidade do atual governo com os movimentos sociais.

O documento inclui igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, fim do fator previdenciário, manutenção da política de valorização do salário mínimo, correção da tabela do Imposto de Renda, distribuição de 10% do PIB para a educação e 10% do orçamento da União para a saúde, estão outros itens. As centrais também pedem adoção, pelo país, das convenções 151 (direito de greve e negociação coletiva no setor público) e 158 (contra a demissão imotivada) da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Uma preocupação imediata refere-se ao Projeto de Lei 4.330, do deputado e empresário Sandro Mabel (PMDB-GO), sobre terceirização. As centrais querem o arquivamento da proposta para retomar as negociações. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta o PL 4.330 como uma das prioridades na agenda legislativa deste ano. Os sindicalistas avaliam que após as eleições a bancada empresarial na Câmara voltará a carga pela aprovação do projeto.

Greve

O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que a marcha das centrais sindicais, que se concentrou desde o início da manhã de hoje (9) na Praça da Sé, região central de São Paulo, corresponde a uma paralisação, na expectativa de Executivo e Legislativo retomem negociações sobre a chamada pauta trabalhista. “É como uma campanha salarial. Essa marcha representa uma greve”, afirmou Vagner, pouco antes de iniciar a caminhada rumo ao vão livre do Masp, na Avenida Paulista, com trajeto pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

Às 11h, a manifestação ocupava a área central da praça. Seis carros de som foram posicionados à frente das escadarias da catedral. O ato é organizado por seis centrais (CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central e UGT) e tem participação de movimentos sociais. Às 10h30, por exemplo, vindo da Rua Direita, também no centro, chegava um grupo ligado ao MTST (trabalhadores sem-teto).

O dirigente da CUT reafirmou o caráter trabalhista da marcha. “É absolutamente sindical, ela fala da pauta da classe trabalhadora. Vamos reentregar a pauta ao governo, ao Legislativo, ao Judiciário”, afirmou. “Avançou muito pouco (a pauta). Praticamente ficou estagnada”, acrescentou Vagner, que, como muitos, segurava uma foice com os dizeres “PL 4.330”, referência a projeto de lei sobre terceirização repudiado pelas centrais. Entre as principais reivindicações, estão redução da jornada para 40 horas semanais, fim do fator previdenciário, correção da tabela do Imposto de Renda, arquivamento do PL 4.330 e manutenção da política de valorização do salário mínimo.

A questão eleitoral deve ser discutida em outro momento, acrescentou o sindicalista. “A CUT vai ter posicionamento no momento oportuno. As centrais não podem cometer esse equívoco de frustrar os trabalhadores, elas os representam.” Segundo ele, há um acordo entre o “comando das centrais” para não defender candidaturas durante a manifestação.

Vagner não quis fazer uma estimativa de público na marcha. “Vai ser extremamente representativa. Vai ter mais do que cinco, seis, sete pessoas que vão para a Paulista e a Folha e O Globo dão capa.”

Ainda não há resposta quanto ao pedido de audiência com a presidenta Dilma Rousseff. “Tenho certeza de que ela irá nos atender.”


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