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por Rodrigo Vianna

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22 de setembro de 2014, 11h43

Com governos do PT, participação dos salários no PIB retoma patamar pré-FHC

Houve uma perda dos salários ao longo da década de 1990, período marcado por crises e uma situação calamitosa na economia e no mercado de trabalho. A participação dos salários no PIB só melhora e começa a se recuperar a partir da virada dos anos 2004.

Do Brasil Debate

Já discutimos no Brasil Debate como a desigualdade caiu nos anos 2000 (por exemplo, em Sobre a recente queda da desigualdade no Brasil e Sobre a expressiva mobilidade social recente). No entanto, outras metodologias não discutidas podem também demonstrar esse fato.

Por exemplo, o gráfico abaixo mostra outro indicador interessante da desigualdade no País, qual seja, a participação dos salários no PIB, supondo-se que, quanto maior a participação dos salários no PIB, menos desigual tende a ser a distribuição da renda.

Percebe-se claramente uma perda dos salários ao longo da década de 1990, período marcado por crises e uma situação calamitosa na economia e no mercado de trabalho. A participação dos salários no PIB só melhora e começa a se recuperar a partir da virada dos anos 2004 para 2005.

O ano de 2004 é aquele com o valor mais baixo da participação dos salários (30,8%). No entanto, para o ano de 2011, estima-se que esse valor já tenha crescido para 38,6%, expressivamente maior que o valor do ano anterior, 2010 (35%).

Estudo da CEPAL analisa a participação dos salários no PIB a preços correntes em 15 países da América Latina de 1950 a 2010 e evidencia uma participação salarial de em média 38,8%, com um valor máximo em 1967 (41,7%) e mínimo em 2004 (33,7%).

Ainda se defende que, a partir da segunda metade dos anos 2000, há tendência crescente da participação dos salários no PIB da América Latina como um todo, com maior contribuição a esse fenômeno sendo da Argentina e do Brasil. Para o Brasil, o estudo mostra que as mais altas participações dos salários sobre o PIB ocorrem na virada dos anos 1950-60, época marcada por maior poder reivindicativo dos trabalhadores, que termina com o golpe de 1964.

O Brasil apresentaria expressivo refluxo da participação dos salários em dois intervalos de tempo: durante a ditadura civil-militar e com o neoliberalismo, na década de 1990 e início dos anos 2000. A partir de meados da década de 2000, a participação salarial sobre a riqueza bruta tendeu a crescer no Brasil.

Tal estudo corrobora os dados apresentados no gráfico inicial e nos ajudam a entender que, sim, nosso País tem se tornado menos desigual nos últimos anos.


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