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por Rodrigo Vianna

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09 de julho de 2014, 10h33

Comentarista que antecipou fracasso da seleção foi atacado por seita da internet

Luiz Felipe Scolari é um técnico obsoleto. Não é novidade, mas quando este blogueiro disse isso, após a vitória nos pênaltis sobre o Chile, muitos concordaram e outros tantos preferiram atacar, agredir, ofender.

Por Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Luiz Felipe Scolari é um técnico obsoleto. Não é novidade, mas quando este blogueiro disse isso, após a vitória nos pênaltis sobre o Chile — clique aqui e confira —, muitos concordaram e outros tantos preferiram atacar, agredir, ofender. Seguidores cegos como os de uma seita qualquer. Incapazes de ver o que está diante dos próprios olhos. Não, naquela ocasião não disse nada de especial.

Era uma mera e óbvia constatação diante dos seus fracos trabalhos no Chelsea, de onde foi demitido, e no Palmeiras, cujo rebaixamento deixou encaminhado quando perdeu o emprego. E na seleção, onde seus equívocos foram inúmeros e não haveria cortina-de-fumaça capaz de escondê-los para sempre. Como a balela de que jogadores de caráter são emocionalmente fracos, que empurrou para segundo plano o trabalho ruim feito no dia-a-dia, que ficava mais evidente nos jogos.

O maior problema jamais foi emocional, e sim técnico e tático. Isso só não era evidente para quem não queria ver ou preferia proteger o treinador. Como se fossse possível fazê-lo. O time frágil, sem estrutura, sem padrão, sem nada! Vivendo da falsa glória denominada Copa das Confederações, que o Brasil também ganhou antes das Copas de 2006 e 2010, quando sequer chegou às semifinais.

Desta vez a seleção cebeefiana avançou, está entre as quatro melhores, mas talvez fosse mais interessante nem ir tão longe. A Alemanha humilhou os brasileiros. Uma derrota que lembra a final da Copa de 1998, quando os franceses pararam nos 3 a 0 graças à incompetência dos pífios atacantes que atendiam pelos nomes de Guivarc’h e Dugarry. O problema vivido por Ronaldo ainda é utilizado para maquiar os motivos daquele massacre nas imediações de Paris. Foi perdida uma chance de mudar

No Mineirão vimos um novo choque de realidade, como o massacre do Barcelona sobre o Santos. Um time técnico, bem treinado, entrosado diante de um adversário mal escalado, que cedeu os espaços desejados pelos alemães. A forma como o técnico da CBF colocou seu time em campo evidenciou desconhecimento do futebol atual, do adversário, falta de estratégia, de treinamento, de tudo.

Como ocorreu com Muricy Ramalho nos 4 a 0 do Barça sobre os santistas na final do Mundial da Fifa, em 2011. “Professores” supervalorizados como Scolari precisam ser questionados, como os cartolas que os contratam. Marín e Del Nero chamaram Felipão para atuar como escudo, contando com seu enorme e inegável carisma. O homem errado, no lugar errado, na hora errada. Treinador e dirigentes são sócios no desastre.

Em campo Neymar e Thiago Silva poderiam diminuir a humilhação, não evitar a derrota. Mas esses 7 a 1 podem trazer algo de bom. Primeiro porque temos a chance de banir essa forma tosca e ultrapassada de jogar, apoiada em desgastados discursos sobre motivação e outras muletas que já não bastam para manter um time de pé. Isso não é o bastante, mesmo com ótimos jogadores que o país revela.

Luiz Felipe Scolari disse antes do duelo com a Colômbia: “Gostou, gostou. Se não gostou, vai para o inferno”. Foi para onde ele mandou o hexa que, ao contrário do que sinaliza a frase no ônibus que leva os atletas, não está chegando. Sim, a Alemanha exorcizou o futebol brasileiro, cabe a cada um de nós fazer o possível para que eles jamais retornem. Felipão e sua trupe são os grandes vilões desta Copa. Que ele e Parreira não voltem.

Frases da Copa para não esquecer:

“A CBF é um exemplo para o Brasil. É o Brasil que deu certo, que dá certo”, Carlos Alberto Parreira, antes do Mundial

“É só olhar o time que nós temos. Temos a zaga mais cara do mundo. Temos jogadores experientes, com qualidade, respeitados no futebol internacional, jogando em casa. Somos favoritos, sim”, Parreira, na primeira entrevista coletiva

“Aquelas declarações do Parreira foram espetaculares”, Luiz Felipe Scolari, sobre o favoritismo atribuído pelo colega de CBF, mais de um mês depois

“Gostou, gostou. Se não gostou, vai para o inferno”, Scolari, depois do jogo com o Chile

“Eu fiz aquilo que eu acho que é o mais correto e o melhor”, Scolari, na coletiva após os 7 a 1


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