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por Rodrigo Vianna

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03 de junho de 2015, 13h47

Democracia tucana: Eleição de novo presidente do PSDB em São Paulo tem 71 votantes

Em crise interna e sem projeto para o Brasil, o PSDB reproduz práticas da república velha, com discurso moralista dos tempos de Lacerda, sem atentar para o enorme telhado de vidro que os cobre.

Por Ivan Valente, no Facebook

O Diretório Municipal do PSDB de São Paulo, neste último domingo, 31, escolheu o vereador Mário Covas Neto como presidente da sigla. Incríveis 71 pessoas participaram deste processo, número assustadoramente baixo para a legenda que se intitula uma das principais do país.

O encontro foi marcado pela mera e mesquinha disputa de poder na máquina burocrática, semelhante aos que haviam na República Velha ou República das Oligarquias. A polêmica girou em torno do nome tucano que disputará a prefeitura de São Paulo no ano que vem. O debate de ideias, as questões da cidade, políticas públicas, nada disso apareceu.

Realmente, como disse na semana passada o vice-presidente nacional tucano, Alberto Goldman, “o PSDB não tem projeto de país”. Projeto de cidade, pelo visto, também não há.

Zuzinha, apelido carinhoso pelo qual Mário Covas Neto é trato por amigos e pela imprensa paulista, fato que não nega a grande simpatia que há entre tucanos e jornalistas da imprensa oficial, derrotou Fabio Lepique, do diretório da Mooca e ligado a José Aníbal. No discurso de vitória, o presidente eleito disse que seu objetivo “é buscar o entendimento em torno de uma única candidatura para prefeito”. Esse nome apresentará o quê nas eleições? Dirá aos eleitores que foi muito difícil construir um consenso no PSDB, e como tal façanha deu certo, ele merece ser eleito também prefeito?

O grande vitorioso foi o aristocrata Andrea Matarazzo. O próprio confirmou que “a vitória foi boa porque fortaleceu o PSDB e consequentemente seu projeto de ser candidato”, como relatou ao Estadão. Ou seja, o fortalecimento do partido é o fortalecimento dele mesmo. Se a frase tivesse sido pronunciada por Prudente de Morais na eleição de março de 1894 acreditaríamos.

Na epígrafe do manual das convenções tucanas do Estado de São Paulo diz que “Nenhum partido vive dos feitos passados. Vive do que realiza no presente e da visão de futuro que oferece”.

Preocupante! Os feitos passados, nos anos 90, foram recessão, desemprego e subordinação do país aos interesses das potências estrangeiras. Os fatos recentes podem ser vistos na intransigência de Alckmin ou na maneira pela qual Beto Richa trata os professores. Sem falar de sua representação nacional, que na figura de Aécio Neves tornou-se a retaguarda dos movimentos mais reacionários do país.

Em crise interna e sem projeto para o Brasil, o PSDB reproduz práticas da república velha, associadas a um discurso moralista dos tempos de Lacerda, sem atentar para o enorme telhado de vidro que os cobre.


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