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por Rodrigo Vianna

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15 de julho de 2014, 17h00

Eleitorado de Eduardo se dividirá entre Dilma e Aécio

Todos estes dados levam a concluir que, num cenário de polarização entre Dilma e Aécio, parte importante dos eleitores de Eduardo Campos pode migrar de candidatura. Uma parte deverá migrar para Dilma em função da campanha. Vendo Dilma crescer nas pesquisas,o eleitor antipetista vai com Aécio Neves.

Por Antônio David*, na Agência Carta Maior

Nesse artigo, procuramos traçar um perfil do eleitor da chapa Eduardo Campos/Marina Silva. Para tanto, utilizamos duas pesquisas recentes de intenção de voto: a pesquisa nacional do Datafolha (junho/2014) e a pesquisa Ibope realizada em Pernambuco (maio/2014).

Em primeiro lugar, convém assinalar que o perfil do eleitor de Eduardo Campos é muito semelhante ao perfil do eleitor de Aécio Neves em quesitos importantes, tais como gênero, escolaridade e renda.

No voto de ambos, há uma pequena maioria de eleitores homens: em torno de 55%. Além disso, predomina em ambos o eleitor com ensino médio (Aécio, 46%; Campos, 50%) e o restante divide-se mais ou menos por igual entre eleitores com ensino fundamental e eleitores com ensino superior. Não menos importante é que tanto em Campos como em Aécio predomina o eleitor com renda familiar de 2 a 10 salários mínimos.

Para se ter dimensão, entre os eleitores da presidenta Dilma predomina o eleitor com renda de até 2 salários mínimos e equiparam-se aqueles que têm ensino fundamental e ensino médio.

Há, no entanto, duas importantes diferenças entre os dois principais adversários de Dilma: o eleitor de Campos é mais jovem e concentra-se no nordeste, ao passo que o eleitor do Aécio concentra-se no sudeste e é um pouco mais velho.

Entre os eleitores de Eduardo Campos, 45% vivem no nordeste. Já entre os eleitores de Aécio Neves, 56% são eleitores do sudeste. E se entre os eleitores do tucano 34% têm até 34 anos, já entre os eleitores do ex-governador de Pernambuco estes somam 43%.

A diferença não é enorme, mas indica tendências. Talvez demonstre que, entre os mais jovens, é mais forte o cansaço da polarização entre PT e PSDB. Ou simplesmente que, entre os mais jovens, a desinformação é maior.

Na pesquisa nacional espontânea – em que o entrevistado fala de cabeça, sem que sejam oferecidos nomes a ele – 64% dos eleitores até 24 anos declararam não saber em quem votar, enquanto nas demais faixas etárias o percentual variou entre 53% e 55%. Como entre os mais pobres também é significativamente maior o percentual dos que não sabem em quem votar (58% na faixa de renda até 2 salários mínimos, contra 42% na faixa superior, acima de 10 salários mínimos), podemos inferir que a desinformação é muito grande entre os jovens mais pobres. Contudo, no dia da eleição, estes têm votado no PT.

Todos estes dados retratam a intenção dos entrevistados no momento em que foram colhidos. Desnecessário dizer que, até a data da eleição, a intenção pode mudar.

A pesquisa Ibope realizada em Pernambuco, onde Eduardo Campos conta com 40% das intenções de voto contra 39% de Dilma na pesquisa estimulada – em que são oferecidos nomes ao eleitor -, em parte confirma o que já dissemos. Também em Pernambuco predomina o voto dos mais ricos no neto de Miguel Arraes. Contudo, além do voto tipicamente tucano, Campos conta em sua terra natal com um voto popular, amparado por uma avaliação favorável de seu governo.

A leitura dos dados oferecidos pela pesquisa Ibope, no entanto, joga sal no mungunzá do “socialista”.

Na resposta espontânea da realizada pelo Ibope em Pernambuco, Dilma tem 24% das intenções de voto contra 17% de Campos. 42% disseram não saber em quem votar. Ou seja, há um espaço a ser preenchido na campanha. A pesquisa estimulada, na qual há empate técnico entre a presidenta e o ex-governador, mostra certa tendência.

Contudo, alguns dados indicam contratendências. O mais expressivo é o papel que o ex-presidente Lula pode desempenhar na campanha.

Nada menos do que 70% dos eleitores de Eduardo Campos em Pernambuco lembram do governo Lula como ótimo ou bom. E face à pergunta “Caso um candidato nas eleições de 2014, independente de quem seja, tivesse o apoio do(a) Ex-presidente Lula, isto aumentaria, diminuiria ou não afetaria a sua vontade de votar neste candidato?”, 47% dos eleitores pernambucanos responderam “muito”.

Vale dizer que, na pesquisa estimulada, Campos tem 42% de intenção de voto na faixa de renda entre 1 e 2 salários mínimos, contra 39% de Dilma. Como sabemos, esse eleitor é majoritariamente lulista.

E como a estratégia de Campos é focar a crítica em Dilma e reivindicar o governo Lula, do qual foi ministro, não é de menor importância atentar para a avaliação que os eleitores de Eduardo Campos em Pernambuco fazem do governo da presidenta Dilma: 41% atribuem ao governo Dilma notas entre 0 e 4; 21% deram-lhe nota 5; e 39% notas entre 6 e 10.

Claro que entre os mais ricos predominam as notas mais baixas, de modo que, entre os mais pobres, o percentual dos que dão boas notas à presidenta Dilma é ainda maior.

Todos estes dados levam a concluir que, num cenário de polarização entre Dilma e Aécio, parte importante dos eleitores de Eduardo Campos pode migrar de candidatura. Uma parte deverá migrar para Dilma em função da campanha. Vendo Dilma crescer nas pesquisas, não surpreende se o eleitor antipetista de Eduardo Campos migrar para Aécio Neves a fim de evitar que Dilma vença no primeiro turno.

Os dados aqui apresentados levam a crer que o eleitor de Eduardo Campos tende a se dividir face à tradicional polarização entre petistas e tucanos. O eleitor popular do nordeste tende a migrar para Dilma. O eleitor com perfil tucano, tende a voar para o ninho do ex-governador de Minas Gerais.

Hoje, num eventual segundo turno entre Dilma e Aécio, 33% dos eleitores de Campos votariam em Dilma, ao passo que 47% votariam em Aécio. Mas uma parte destes 47% podem votar em Dilma.

Aliás, a pesquia nacional do Datafolha mostra um dado curioso e que só reforça essa hipótese: 29% dos eleitores de Eduardo Campos dizem que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado por… Marina Silva! É que a campanha pra valer ainda não começou.

* Antônio David é estudante de pós-graduação na FFLCH/USP.


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