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por Rodrigo Vianna

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12 de janeiro de 2015, 10h24

Em ato histórico ‘sem precedentes’, milhões marcham em Paris contra terrorismo

Do Opera Mundi

Estimada em mais de 3 milhões de pessoas, uma multidão foi às ruas de Paris neste domingo (11/01) para homenagear as 17 vítimas dos ataques recentes, no que o governo francês já afirma ser a maior manifestação da história do país — maior até do que a mobilização após a libertação da capital francesa das mãos nazistas, no fim da Segunda Guerra Mundial, há 70 anos.

O comparecimento ao ato, classificado como “sem precedentes”, superou as expectativas das autoridades do Ministério do Interior francês. Os manifestantes eram tão numerosos que a marcha não pôde ficar contida à rota oficial e teve se espalhar pelo entorno, tornando impossível uma contagem oficial — a imprensa francesa estima em 3 milhões de pessoas.

Às 15h30 de Paris (12h30, horário de Brasília), a multidão partiu da Place de la Republique em direção à Place de la Nation, reunindo também, além dos milhões de cidadãos parisienses, quase 50 líderes internacionais de diversos espectros políticos e religiosos.

Unidos pelo mote “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), a multidão foi às ruas munidas com cartazes, desenhos, placas gigantes, faixas e bandanas manifestando-se também contra o cerceamento à liberdade de expressão e o terrorismo.

“Hoje, Paris é a capital do mundo. Nosso país inteiro se erguerá em direção a algo melhor”, disse o presidente François Hollande, capitaneando os quase 50 líderes mundiais que, vestidos de preto, participaram do ato. Entre eles, estavam: chanceler alemã, Angela Merkel; premiê britânico, David Cameron; premiê italiano, Matteo Renzi; premiê espanhol, Mariano Rajoy; premiê turco, Ahmet Davutoglu; premiê irlandês, Enda Kenny; e rei Abdullah, da Jordânia. Altos representantes ucranianos e russos também foram a Paris, bem como o procurador-geral norte-americano, Eric Holder. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, também compareceram ao ato.

Agência Efe

Presidente francês, François Hollande, ladeado por líderes internacionais em Paris

Em forte declaração antes da marcha em Paris, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, atacou o radicalismo islâmico. “É uma guerra contra o terrorismo, contra o islamismo radical, contra todos os que querem romper com a fraternidade, a liberdade e a solidariedade”, disse Valls.

O sistema de segurança da capital francesa foi fortemente reforçado: atiradores snipers posicionaram-se em edifícios e mais de 2 mil policiais e 1,2 mil soldados foram deslocados para o ato e estão de prontidão no local.

Outras marchas estão sendo organizadas em diversos locais do mundo, como em Nova York, Londres e Madri — todas atacadas por extremistas ligados à Al Qaeda —, além de Cairo, Sydney, Estocolmo e Tóquio. Em outras cidades francesas, pelo menos outras 600 mil pessoas foram as ruas em apoio à causa.

Atirador diz ser do Estado Islâmico

Também neste domingo, novo vídeo foi divulgado mostrando um dos atiradores mortos na sexta (09/01) jurando lealdade ao EI (Estado Islâmico), grupo extremista sunita que atua no Iraque e na Síria. Nas imagens póstumas, Amedy Coulibaly — responsável pelo sequestro no mercado judeu em Paris, que terminou com quatro reféns mortos — reivindica o ataque que matou uma policial na quinta-feira (08/01).

Agência Efe

Imagem do vídeo póstumo divulgado hoje, em que Amedy Coulibaly diz ser membro do Estado Islâmico

“Eles se encarregariam da revista Charlie Hebdo e eu da polícia. Fizemos as coisas um pouco juntos, um pouco separados, para ter mais impacto”, afirma o homem, referindo-se aos irmãos Kouachi, que atacaram a sede da revista Charlie Hebdo, matando 12 pessoas. Caso seja confirmada a coordenação entre Coulibaly e os irmãos Kouachi, seria a primeira vez que um ataque terrorista é realizado conjuntamente entre o Estado Islâmico e a Al Qaeda, cujo braço no Iêmen já assumiu a autoria da investida contra a revista.

Jornais alemão e belga ameaçados

Também hoje, dois veículos de imprensa na Europa foram alvos de ameaça e ataque. Pela manhã, o jornal Hamburger Morgenpost, que havia republicado as charges da Charlie Hebdocaçoando do profeta Maomé, foi alvo de um suposto incêndio criminoso, sem vítimas.

Em Bruxelas, a redação do jornal belga Le Soir, que também republicou as charges, foi evacuada após receberem, por telefone, uma ameaça de ataque.


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